segunda-feira, 24 de abril de 2017

IMPERADOR DOS ESPINHOS


Autor: Mark Lawrence

Título original: Emperor of Thorns





Sinopse:  Um rei em busca de vingança.
Com apenas vinte anos de idade, o príncipe tornou-se o Rei Jorg Ancrath, rei de sete nações, conhecido em todo o Império. Mas os planos de vingança que tem para o seu pai ainda não estão completos. Jorg tem de conseguir o impossível: tornar-se imperador.
Um império sem imperador há cem anos.
Esta é uma batalha desconhecida para o jovem rei, habituado a conquistar tudo pela espada. De quatro em quatro anos, os governantes dos cem reinos fragmentados do Império Arruinado reúnem-se na capital, Vyene, para o Congresso, um período de tréguas durante o qual elegem um novo imperador. Mas há cem anos, desde a morte do último regente, que nenhum candidato consegue assegurar a maioria necessária.
Um adversário temível e desconhecido.
Pelo caminho, o Rei Jorg vai enfrentar um adversário diferente de todos os outros, um necromante como o Império nunca viu, uma figura ainda mais odiada e temida do que ele: o Rei dos Mortos.




Regresso a esta trilogia para ver o seu fim e o que o autor preparou para Jorg, este personagem principal que por vezes odiamos mas que compreendemos.

Ainda antes de olhar diretamente para este livro, é preciso indicar que esta é uma saga diferente do normal e à qual deve ser dada o mérito de nos levar  a criar uma ligação com um personagem que moralmente deveríamos repudiar. É nos detalhes que o autor cria esta ligação enquanto vemos, principalmente no segundo livro, as mudanças que Jorg atravessa, e que o afastam do rapaz sedento de vingança do primeiro livro. 

Com o segundo livro a criar essa ligação e a levar-nos a compreender muitas das decisões de Jorg, o terceiro livro é um inteligente e surpreendente final para esta trilogia e suas personagens. Com o seu estilo habitual, Jorg leva-nos por batalhas, físicas e mentais, sempre com saltos temporais que nos dão, em simultâneo, novas perguntas e novas respostas. 

Tal como no livro anterior, o autor continua a explorar este seu mundo, sempre com interessantes ligações a um passado e a um mundo que conhecemos. A ligação é aqui mais forte e faz sentido dentro do universo criado pelo autor, tornando a trilogia coerente. Infelizmente, devido ao facto de a narrativa estar focada no narrador Jorg, fica a sensação que algumas personagens mereciam ser exploradas e acabam por não ser.

Com a narrativa a aumentar o ritmo a partir de meio do livro e com algumas revelações a serem apresentadas nos momentos certos, o autor prende o leitor numa viagem viciante em que algumas teorias se formam na nossa mente. Foi já perto do fim que comecei a perceber para onde o autor me levava, mas o porquê faz a diferença. Inteligente e com algum risco, o autor oferece um final que fica na memória e que encaixa muito bem nas personagens e no mundo que fomos descobrindo nestes três livros. Por tudo isto, este é o melhor dos três livros, principalmente porque com o conhecimento que oferece, consegue melhorar os anteriores livros.

Se procuram uma boa trilogia de fantasia e que se consegue diferenciar da maioria graças à sua personagem principal, então esta saga deve estar na vossa estante.

Luís Pinto



sexta-feira, 21 de abril de 2017

A VIÚVA NEGRA


Autor: Daniel Silva

Título original: The Black widow




Sinopse: O lendário espião e restaurador de arte Gabriel Allon está prestes a tornar-se chefe dos serviços secretos israelitas. Porém, em vésperas da promoção, os acontecimentos parecem confabular para o atrair para uma última operação no terreno. O ISIS fez explodir uma enorme bomba no distrito do Marais, em Paris, e um governo francês desesperado quer que Gabriel elimine o homem responsável antes que este ataque novamente. Chamam-lhe Saladino... É um cérebro terrorista cuja ambição é tão grandiosa quanto o seu nome de guerra, um homem tão esquivo que nem a sua nacionalidade é conhecida. Escudada por um sofisticado software de encriptação, a sua rede comunica em total segredo, mantendo o Ocidente às escuras quanto aos seus planos e não deixando outra opção a Gabriel senão infiltrar uma agente no mais perigoso grupo terrorista que o mundo algum dia conheceu. Trata-se de uma extraordinária jovem médica, tão corajosa quanto bonita. Às ordens de Gabriel, far-se-á passar por uma recruta do ISIS à espera do momento de agir, uma bomba-relógio, uma viúva negra sedenta de sangue. Uma arriscada missão levá-la-á dos agitados subúrbios de Paris à ilha de Santorini e ao brutal mundo do novo califado do Estado Islâmico e, eventual-mente, até Washington, onde o implacável Saladino planeia uma noite apocalíptica de terror que alterará o curso da história.



Regresso novamente à escrita de Daniel Silva e à sua série mais famosa, a do espião Gabriel Allon. Este é o 16º livro da série e pode ser lido como um livro independente. claro que conhecer o passado do personagem é importante para se tirar maior partido do enredo, mas não obrigatório para que esta seja uma boa leitura.

Com o ritmo em crescendo, como é habitual neste autor, Allon volta uma vez mais a ter uma missão de escala planetária. Ao fim de dezasseis livros podemos achar que o autor poderá estar a ficar sem ideias, mas a verdade é que não. Claro que começa a ser possível perceber alguns truques de Daniel Silva e ver onde a narrativa nos tenta enganar, mas este é um conhecimento que se adquire ao ler muitos livros. Por outro lado, o autor continua a arriscar e a surpreender, sem nunca deixar de tocar em alguns temas sensíveis.

O ISIS é agora o centro das atenções e é "misturado" numa trama que aos poucos atinge um ritmo de ação bastante elevado. O autor usa os já normais padrões da espionagem de ação e claro que não podemos esquecer os clichés das mulheres lindas que ajudam o personagem principal, muito ao estilo de James Bond. No entanto, e mesmo com estes já batidos clichés, o autor cria um enredo inteligente e bastante atual com o qual é possível encontrar semelhanças com a realidade. A montagem do livro está bem conseguida e mesmo com o fluxo a caminhar, claramente, para um local/momento óbvio, é impossível deixar de ler, até porque se sente que o autor poderá surpreender em qualquer página.

Dentro do seu estilo, que mistura a espionagem de James Bond com vários temas atuais e uma personagem principal com a qual é fácil criarmos simpatia, Daniel silva é dos mais famosos escritores do mundo, e aqui percebe-se porquê. Um leitor que procure um livro de espionagem pura, não o irá encontrar aqui, mas quem procure um bom livro de ação que não se consegue parar de ler, então este livro é uma escolha acertada, até porque, para mim, é talvez o mais intenso livro do autor, o que demonstra que Daniel Silva irá continuar a surpreender-nos. Se este é o vosso estilo de leitura, então este é um livro a ler neste verão.

Luís Pinto 

quinta-feira, 20 de abril de 2017

A PRIMEIRA REGRA


Autor: Jeff Abbott

Título original: The first order





Sinopse: Sam Capra nunca acreditou que o irmão tivesse sido assassinado às mãos de extremistas no Médio Oriente. Antigo operacional da CIA, Sam transformou-se num agente infiltrado de topo, e decide lançar a sua própria investigação. Mas a que ponto e com que propósito é que os seus contactos ainda lhe serão leais? Toda a informação tem um preço e a confiança pode ser um conceito volátil para alguns…
A busca desesperada pelo irmão levará Sam a uma versão moderna do coração das trevas: o círculo privado da elite russa, oligarcas implacáveis, com a escola do KGB, que juraram fidelidade a Morozov, o corrupto presidente da Rússia. No fio da navalha, não passam de peões no xadrez global a que Morozov se dedica, e agora um destes homens quer ver-se livre do novo czar. Estará Danny envolvido na conspiração? No que se terá tornado?



Este é o segundo livro que leio deste autor e foi o que gostei mais. Apesar de não ser um fantástico livro de espionagem, a verdade é que Abbott consegue criar uma trama bastante interessante. Sendo o quinto livro de uma série que tem como personagem principal Sam Capra, e não tendo lido os livros anteriores, foi normal estar perdido nas primeiras páginas, mas aos poucos fui conhecendo este personagem e percebendo os seus motivos e o seu passado. Globalmente, parece-me que quem tenha lido os livros anteriores, poderá apreciar melhor estas páginas, mas também me parece correto afirmar que quem nunca tenha lido, conseguirá agarrar a história aos poucos e ter aqui uma boa leitura.

Com um ritmo sempre elevado, Abbott leva-nos por vários locais e transmite sempre uma sensação de urgência que torna o livro mais intenso e empolgante. Não sendo um livro de espionagem puro, mas sim um thriller rápido e com ação, Abbott por vezes oferece momentos óbvios, mas noutros momentos consegue surpreender ao arriscar e conseguindo dar qualidade ao livro quando menos se espera. 

Gostei das personagens e também da forma como o autor montou a narrativa, com grande destaque para os vilões que conseguem demonstrar qualidades que os tornam bastante importantes no enredo. No entanto, o destaque é claramente para o personagem principal, que não conhecia e que gostei de explorar, dando-me vontade de ler os livros anteriores. 

Com diálogos interessantes e um ambiente bem criado, é fácil entrar neste livro. O seu ritmo não nos deixa descansar e algumas perguntas ficam por responder enquanto desvendamos uma conspiração que pode ser bem maior do que o personagem principal crê no início. No global, este é um bom livro de espionagem que agradará aos leitores que procuram ação e uma leitura rápida, e que me convenceu a ler mais livros do autor. 

Luís Pinto

quarta-feira, 19 de abril de 2017

CEVDET BEI E OS SEUS FILHOS


Autor: Orhan Pamuk






Sinopse:  Istambul, 1905. Cevdet Bei, um comerciante muçulmano rico, instala-se com a mulher no bairro ocidental de Nisantasi. O Império Otomano já soçobrava antes da Primeira Guerra Mundial e as elites contestavam o poder despótico do sultão Abdülhamid II. Duas gerações depois, o pintor Ahmet decide retratar o avô e, neste intervalo, observamos a evolução de toda a sociedade turca.
Cevdet Bei e os Seus Filhos é o romance de estreia de Orhan Pamuk, Prémio Nobel da Literatura, que segue as três gerações da família de Cevdet Bei, e com elas a fundação da Turquia moderna.



Pamuk escreve de forma diferente, especial, com formas e significados que o tornam único. Neste livro, o seu primeiro romance, Pamuk revela, acima de tudo, a inteligência que foram a base do Nobel que ganhou.

Num livro bastante grande, Pamuk consegue agarrar o leitor com facilidade. No meu caso, muito se deve à forma como o autor consegue, durante todo o livro, explorar as diferenças entre Oriente e Ocidente. a leitura é quase sempre lenta, com o autor a aprofundar vários temas que tornam o livro bastante coeso e coerente. A forma como o autor expõe a sociedade e as transformações que vai sofrendo, tornam esta narrativa em algo mais do que uma boa história. É também um livro que nos ensina e revela a adaptação de uma sociedade que em muitos aspetos não estava preparada para uma mudança tão radical.

Outro aspeto muito importante nas obras do autor e também aqui neste livro é a capacidade de Pamuk de nos ligar a algumas personagens, levando-nos a atingir um estado que nos faz acreditar que realmente conhecemos a personagem. Pamuk explora com suavidade o que constitui uma personagem, quais os seus motivos, o que a marcou, o que pretende alcançar. E é com personagens extremamente realistas que avançamos por um país em mudança.

O retrato de Istambul durante os vários anos da narrativa é um dos pontos fortes do livro. A narrativa toca em temas mais profundos e emocionais, como a política, religião e tradições, sem nunca esquecer as dificuldades da adaptação e a forma como a sociedade olha para o seu país, mas também para os países estrangeiros, todos eles em grande mudança devido à guerra.

De um ponto de vista crítico, a história quase que é secundária quando comparado ao peso que tem a mudança da sociedade. É ela o catalisador de toda a história e é com essa mudança que avançamos e conhecemos as personagens. Pamuk tem aqui um bom livro, ao nível do que nos habituou e que nos liga emocionalmente a algumas personagens. É um livro grande e o seu ritmo poderá afastar alguns leitores que procurem algo mais rápido ou intenso. Mas a qualidade está aqui, sem dúvida.

Luís Pinto

terça-feira, 18 de abril de 2017

O SEGUNDO LIVRO DA SELVA


Autor: Rudyard Kipling

Título original: The second jungle book




Sinopse: O Segundo Livro da Selva dá continuidade às espantosas histórias reveladas em O Livro da Selva, já editado pela Livros do Brasil. Mowgli, o rapaz que cresce no seio de uma família de lobos, recebe novos ensinamentos sobre a vida e a sobrevivência na selva indiana, na companhia dos seus amigos Baloo, o urso pardo, e Bagheera, a pantera negra, e volta a encontrar-se com os fascinantes Shere Khan, o temível tigre, ou Kaa, a grande jiboia das rochas. Incluindo três outras histórias que têm como pano de fundo a Índia britânica, este é um conjunto precioso de aventuras, de fábulas, de lições de vida, escritas com mestria por Rudyard Kipling e ilustradas pelo seu pai, John Lockwood Kipling. Tendo tido a sua primeira edição em revistas, entre os anos de 1894 e 1895, estes são textos clássicos de um valor inesgotável. 




Todos nós já ouvimos falar do mais famoso livro de Kipling "O livro da selva", muitas vezes adaptado em filmes e séries. No entanto, este segundo livro, muito menos famoso, também merece ser lido. 

Tal como no primeiro livro, o autor usa uma escrita leve, capaz de se adaptar à idade de qualquer leitor e a narrativa desenvolve-se com facilidade, cheia de significados e capaz de levantar várias questões sobre a vida, o que é ser um ser humano e todas as emoções que nos ligam a animais e outras pessoas.

Tal como o livro anterior, esta é uma história que tem algo a ensinar, qualquer que seja a nossa idade. É interessante ver como, dependendo da nossa idade, iremos questionar a história de forma diferente, retirando novos ensinamentos, percebendo outros significados. Isto porque, se repararmos bem, o autor não está apenas a "ensinar" o nosso personagem principal Mogli. Está também a ensinar os leitores. 

As histórias são interessantes e estruturadas com inteligência, e mesmo apesar de termos momentos separados e alguns saltos, tudo acaba por encaixar bastante bem neste mundo que o autor criou e que em muitos casos nos parece incrivelmente presente na sociedade atual. O resultado é um livro intemporal que explora o ser humano de uma forma que será sempre atual, e que sempre nos ensinará algo que não deveremos esquecer.

Este pequeno livro de Kipling deve ser lido. As suas personagens são memoráveis, os seus diálogos inteligentes e a narrativa adapta-se a qualquer leitor. Não existe muito que possa aqui dizer sem revelar a história, que apesar de curta, está cheia de significado. Este não é um livro para ser lido pela história, mas sim pelo que transmite. É esse o seu trunfo, e é por isso que deve estar nas nossas estantes, tal como o primeiro Livro da Selva.

Luís Pinto

segunda-feira, 10 de abril de 2017

AUTORIDADE


Autor: Jeff Vandermeer

Título original: Authority





Sinopse: Após 30 anos, os únicos traços humanos detetados na Área X - uma estranha zona contaminada cercada de uma fronteira invisível e sem traços de civilização - são os que foram deixados por expedições sucessivas sob autoridade de uma agência tão secreta que quase foi esquecida. Face à tumultuosa 12.ª expedição narrada em Aniquilação, a agência tem um novo diretor nomeado, John Rodrigues, também conhecido por Control.
A braços com uma equipa desesperada e frustrada por uma série de incidentes e vídeos perturbantes, Control começa a desvendar lentamente os segredos da Área X e dos mistérios narrados no primeiro volume, mas a cada descoberta que faz, é forçado a confrontar verdades sobre ele próprio e a agência que jurou servir.



Este é o segundo livro da trilogia "Área X" e, tal como o primeiro, não é um livro para todos. 

Após ter criado a base necessária no livro anterior, o autor começa neste livro a explorar algumas das perguntas que o leitor terá feito no livro anterior. Com o seu ritmo morno e grande foco no mundo em si, o autor explora flora e fauna com uma subtileza incrível, ao ponto de mesmo nos momentos em que não parece estar a explorar cenários, na realidade está. Com uma escrita focada no porquê de muito do que existe, mas tendo sempre a capacidade de criar suspense sobre o porquê do que vai acontecendo, o leitor é levado por uma viagem que tem tanto de confuso como de coerente em alguns momentos.

Com algumas personagens interessantes e diálogos inteligentes, o enredo começa a responder às perguntas que ficam do primeiro livro. Contudo, tal como se esperava, muitas respostas dão origem a novas perguntas. Apesar de um ou outro momento parecer algo forçado ou menos coerente, também é verdade que aos poucos tudo começa a encaixar e a dar origem a várias teorias.

No entanto, tal como o primeiro livro, este também não é um livro para todos. O autor leva-nos por caminhos confusos e que em alguns momentos não parecem encaixar com o que se espera ou que já se leu, mas a verdade é que se ligarmos todos os pontos, então descobrimos que nestas páginas está explicado muito do que não se vê à primeira vista. Tudo isto num ritmo bastante lento que poderá afastar alguns leitores. O enredo é inteligente, mesmo que às vezes não seja viciante, e o facto de ser o segundo livro da trilogia acaba por lhe retirar algum impacto final, pois muito fica por explicar.

Esta trilogia, que ganhou vários prémios, tem a qualidade e a originalidade que a tornam memorável de alguma forma. Ainda me falta ler um livro e não quero revelar algo que não devo, mas estou bastante curioso para ver o desfecho de algumas personagens e, principalmente, o porquê de três ou quatro factos desta narrativa. Se no fim tudo fizer sentido, então esta será uma trilogia muito boa, baseada num universo diferente e bem pensado, e que mesmo não sendo a favorita dos leitores, conseguirá ganhar o seu espaço na nossa estante de livro a voltar a ler um dia. Fica a faltar apenas o último livro para perceber se o autor consegue realmente oferecer todas as respostas (de preferência com um ritmo mais elevado na narrativa).

Luís Pinto

quinta-feira, 6 de abril de 2017

STAR WARS - Trilogia Império Negro


Autor: Tom Veitch

Título original: Dark Empire & Dark Empire II & Empire's End





Sinopse: Dez anos depois da queda de Darth  Vader e do Imperador em  O Regresso do Jedi, uma Nova República foi formada, mas a galáxia ainda não está livre.
E, desta vez, o poder obscuro por detrás do Império ressurgente tem os olhos postos num novo alvo: o filho recém-nascido de Han e Leia!
Se este plano for bem-sucedido, a galáxia mergulhará numa nova era de trevas.



Quem conheça o Universo Star Wars que foi criado em livros e comics após os filmes, sabe que existem algumas trilogias bastante icónicas. Quando a Disney comprou os direitos, todos estes livros passaram a ser considerados "Lendas", histórias fora da cronologia que a Disney quer seguir com os seus novos filmes. E portanto, mesmo não sendo histórias que tenham influência nos próximos filmes, muitos valem a pena ser lidos. É o caso desta trilogia e de muitos outros livros que a editora Planeta tem trazido para Portugal nos últimos tempos.

Em termos de influência que teve, provavelmente nenhum comic teve tanto impacto no universo Star Wars quanto esta trilogia. Abriu portas, explorou o futuro da saga e aprofundou as personagens que já conhecíamos.

A história é interessante, apesar de ter alguns momentos previsíveis, mas sendo sempre capaz de nos aproximar das personagens dos filmes. Os diálogos muitas vezes conseguem ser exatamente o que esperamos de algumas personagens, não deixando o leitor sentir qualquer afastamento dos filmes. Por outro lado o ritmo também é bem conseguido na parte inicial e final, apesar de a meio existir uma fase mais morna. 

Apesar de estas trilogias mais antigas não terem o fantástico design dos comics mais recentes, em nenhum momento se sente que os comics se afastam do universo de George Lucas. A cada página existe algo que nos faz perceber que este é o universo de Star Wars. A isto alia-se neste edição, novamente, um excelente trabalho da editora em oferecer uma boa capa dura e boa qualidade nas páginas.

Com algumas reviravoltas, momentos cómicos e algumas surpresas, esta é mais uma boa trilogia Star Wars que agradará a qualquer fã. Pode não ser a minha favorita, mas é claro o porquê de ter sido tão importante para a expansão dos comics no universo SW. Intenso e inteligente, coerente com o universo e sempre capaz de nos levar a melhor neste universo, esta é uma leitura viciante e bastante divertida. Se são fãs da saga, então acreditem, têm de ter este livro.

Luís Pinto

quarta-feira, 5 de abril de 2017

O GRANDE REAJUSTAMENTO


Autor: Willem Middelkoop

Título original: The big reset




Sinopse: Willem Middelkoop propõe neste livro um grande reajustamento para dar um novo rumo ao sistema financeiro global, que vê atualmente no dólar o seu modelo de referência. Depois de nos dar conta do caminho percorrido até chegar à situação de crise em que nos encontramos hoje, partindo de tempos imemoriais que recuam até à origem do dinheiro e dos bancos, chegamos ao século XX para assistirmos à forma como o dólar se tornou a principal moeda de reserva mundial. Porém, o sistema governado pelo dólar entrou em declínio há várias décadas e teve um enorme revés com a crise do crédito de 2008. Ainda assim, os Estados Unidos tentam manter a sua supremacia e combatem a todo o custo a corrida ao ouro por parte das outras potências mundiais, nomeadamente, a China e a Rússia. Nos últimos anos, estes dois países têm comprado grandes quantidades de ouro de forma a enfraquecerem o sistema norte-americano e a alcançarem uma maior liberdade económica, adquirindo, por consequência, uma maior independência financeira dos Estados Unidos.


Confesso que não conheço o autor deste livro, mas já tendo lido alguns livros que de forma muito suave e indireta falaram sobre possíveis reajustamentos financeiros, decidi ler este livro que aprofunda o tema, focando-se bastante na guerra financeira do ouro, que era exatamente o que procurava.

Em primeiro lugar é preciso indicar que dificilmente quem não se sinta atraído por este livro, poderá retirar algum prazer da leitura nas páginas iniciais. Depois, aos poucos, o livro começa a ser cativante. No meu caso, que estava bastante interessado logo desde o início, e o autor cativou-me com uma escrita inteligente e direta que não deixa a leitura divagar demasiado.

Com uma estrutura bem pensada e sendo fácil perceber-se os conceitos base, acredito que qualquer leitor conseguirá ler este livro sem se sentir perdido, muito graças à escrita simples do autor e ao facto de ir explicando tudo o que provavelmente está fora do conhecimento de um leitor comum.

Claro que aos poucos o livro torna-se mais complexo, principalmente porque a ideia base proposta pelo autor é complexa, mesmo que não pareça. O leitor deverá questionar o que está a ler, tirar as suas conclusões e perceber o impacto das ideias do autor.

Gostei bastante deste livro, principalmente pela forma como o autor vai explorando alguns factos para sustentar as suas ideias e teorias para o que deveria ser feito. Claro que este é um livro em que o autor explora a sua visão e por isso devemos tentar questionar e perceber o problema de várias formas e ângulos, mas é interessante sentir que o autor não nos força numa direção.

Este não é um livro académico, mas é uma obra que exige vontade para ganhar o conhecimento que estas páginas oferecem. Apesar de ser um livro pequeno, existe aqui muito para se aprender, desde a História do sistema financeiro, passando pelas formas como tudo está ligado e como algumas alterações que parecem simples podem ter impactos brutais. Se este tema vos interessa, está aqui um bom livro que certamente vos ensinará bastante.

Luís Pinto

terça-feira, 4 de abril de 2017

O ANJO DA MORTE


Autor: M. J. Arlidge

Título original: Hide and Seek




Sinopse: Helen Grace, até aqui considerada a melhor detetive do país, é acusada de homicídio e aguarda julgamento na prisão de Holloway. Odiada pelas restantes prisioneiras e maltratada pelos guardas, Helen tem de enfrentar sozinha este pesadelo. Tudo o que deseja é conseguir provar a sua inocência. Mas, quando um corpo aparece diligentemente mutilado numa cela fechada, essa revela ser, afinal, a menor das suas preocupações.
Os macabros crimes sucedem-se em Holloway e o perigo espreita em cada cela ou corredor sombrio. Helen não pode fugir nem esconder-se por atrás do distintivo. Precisa agora de ser rápida a encontrar o implacável serial killer? se não quiser tornar-se a sua próxima vítima.



Este é o 6º livro da saga Helen Grace, e tal como todos os outros livros, é bastante bom. Sinceramente, se me tivessem perguntado qual era a expectativa quando comecei esta saga, não esperaria uma consistência tão boa. Arlidge volta a não desiludir.

Uma vez mais o autor consegue empurrar o leitor para um ritmo elevado, tendo neste caso a vantagem de aproveitar o final do livro anterior para deixar de imediato o leitor desconfortável e a tentar adivinhar o que se passa. Tal como nos livros anteriores, Arlidge continua a explorar as personagens com mestria, dando sempre a base necessária para os momentos mais coerentes, mas deixando algumas dúvidas que se poderão tornar nos momentos de maior surpresa. Neste livro o autor volta a arriscar em alguns momentos e apesar de ter percebido qual poderia ser o caminho no final, a verdade é que surpreende pela forma como é revelado e como é coerente com o que tinha acabado de ler.

Claro que ao fim de 6 livros lidos do autor, sempre num estilo muito parecido, existem alguns momento é que se consegue perceber o que o autor está a tentar esconder, mas o facto de a leitura ser tão rápida retira-nos alguma capacidade de questionar o que está a acontecer, pois estamos a ser empurrados sempre para o próximo capítulo. Neste aspeto é importante referir que o autor continua a arriscar e a surpreender com novas formas de manipular a nossa atenção, deixando alguns detalhes quase escondidos para nos dificultar a investigação.

No geral esta é das mais consistentes sagas que li nos últimos tempos. Ao fim de 6 livros parece-me óbvio que não estamos perante um autor que teve algumas ideias boas, mas sim perante um grande autor de policiais. Este talvez não seja o meu favorito até agora, mas a qualidade está ao nível dos outros e merece ser lido. Se gostam de policiais, esta saga deve estar na vossa estante! Preparem-se para uma leitura bastante viciante.

Luís Pinto

segunda-feira, 3 de abril de 2017

LEGIÃO


Autor: Simon Scarrow

Título original: The Legion





Sinopse: Cato e Macro, dois soldados das legiões romanas, têm servido a causa dos Imperadores por todo o Império, desde a Bretanha até à Ilha de Creta, e enfrentam agora o caos que ameaça o Egipto.
O gladiador rebelde Ajax procura vingança pela morte do seu pai às mãos de Cato e Macro. Os seus homens têm-se disfarçado de soldados romanos e atacado bases navais, navios mercantes e cidades. Cato e Macro são encarregues da tarefa de perseguir o guerreiro renegado antes que percam o controlo da situação no território. Decidem juntar forças à Terceira Legião na esperança de destruir o seu inimigo no campo de batalha, mas o astuto gladiador colocou outros planos em movimento…
Uma história de vingança, traição e morte, Legião leva-nos numa grande jornada pelo rio Nilo acima no momento em que o Império Romano enfrenta um novo perigo.
Conseguirão Cato e Macro resistir à brutalidade dos seus inimigos? 



Este é o 10º livro da Saga da Águia e foi, talvez, o meu favorito até agora. A verdade é que o autor tem sido bastante consistente em todos os seus livros, sendo bastante difícil dizer que há livros melhores ou piores. A qualidade tem sido constante e os livros continuam viciantes, principalmente porque o autor vai mudando de cenários, mantendo uma boa base de intriga e de política que choca com a vida dos soldados nos campos de batalha. É este contraste que tantas vezes elevou a qualidade desta saga.

Claro que se tivesse tido os dez livros de seguida, provavelmente a sensação seria outra, talvez acabando por desgastar a própria leitura. Felizmente fui intervalando, tendo sempre a atenção de não ficar demasiado tempo sem voltar para não me esquecer dos detalhes importantes. Tal como nos últimos livros, o autor demonstra que já não há muito para explorar nas suas personagens principais, e assim foca-se noutras, "abrindo o leque" para que o enredo se torne mais consistente e abrangente. 

Tal como noutros livros, o grande trunfo está nas descrições das batalhas e na forma como o autor explora a vida dos soldados, tudo isto sem baixar demasiado o ritmo. É fácil sentirmos que estamos ali, no meio da batalha, e mesmo sabendo que os nossos personagens principais se irão manter (pelo menos é o que eu sinto), não é por isso que as batalhas são menos intensas.

Pelo meio, Scarrow continua a explorar questões política e sociais, explorando diferentes pontos de vista que os personagens vão presenciando. O contraste da forma como um soldados, que enfrenta o inimigo e vê como ele vive, olha para Roma e um político que nunca percebeu como vive ou pensa o inimigo que considera bárbaro, faz a diferença nesta saga, mesmo tendo em conta que o autor, par anão baixar o ritmo, nunca aprofunda demasiado o tema.

O que me fez apreciar mais este livro foi a inteligência do inimigo e os cenários egípcios, uma civilização que aprecio bastante, e que aqui me fez querer ler o livro ainda mais depressa. 

Já não falta muito para acabar esta saga e a continuar assim certamente tentarei lê-la. Daqui a uns tempos voltarei a este autor, para novas aventuras, com outros cenários, noutros locais. E duvido que o autor me desiluda.

Luís Pinto

sexta-feira, 31 de março de 2017

PASSATEMPO: The legend of Zelda - Breath of the wild / Vencedor


PASSATEMPO

The legend of Zelda - Breath of the wild 

Vencedor


Chegou ao fim, em parceria com o canal Tek Test, mais um passatempo. Deste vez oferecemos um jogo Wii U, em código, e que certamente será um dos jogos do ano.

A todos os que tornaram este passatempo possível, muito obrigado, e também um agradecimento a todos os que participaram.

Esperamos ter novos passatempos em breve, por isso estejam atentos!


E o vencedor é:

Nina Santos

Parabéns à vencedora que receberá no seu mail o código do jogo!

EM FUGA


Autor: Peter May

Título original: Runaway






Sinopse: Em 1965, cinco amigos, todos adolescentes, cansados da rotina e temerosos de uma vida previsível, fogem de Glasgow com destino a Londres e o sonho de serem estrelas e de transformar a sua banda de música num sucesso. No entanto, antes do final do primeiro ano, três deles regressam a` sua cidade natal na Escócia - e voltam diferentes, danificados, sem que ninguém perceba a razão para tal. Cinquenta anos mais tarde, em 2015, um brutal homicídio na capital inglesa obriga esses três homens, agora com quase 70 anos, a regressar a Londres e a confrontar, por fim, a mancha escura do seu passado da qual tentaram fugir durante toda a vida.



Peter May tem sido um autor que tenho seguido com interesse graça à sua saga Lewis, sobre a qual já falei de dois livros, e que me cativou pela inteligência dos enredos e pelas incríveis descrições de alguns cenários que se enquadram mesmo muito bem na narrativa e oferecendo bons ambientes. Neste novo livro, fora da trilogia Lewis, o autor mantém o seu estilo, saltando entre narrativas em diferentes pontos temporais. Vamos construindo os personagens na nossa mente mas a base da história, que nos deixa sempre na dúvida, leva-nos a tentar, constantemente, adivinhar o que se está a passar. Aliás, a ideia base deste livro é o seu grande trunfo, pois a verdade é que o livro em si não consegue ter o ambiente sombrio que se encontra nos outros livros do autor.

Com personagens interessantes e sem grandes momentos que pareçam forçados, o autor conduz a leitura por caminhos com algumas surpresas mas sem arriscar demasiado. O final é inteligente mas não surpreende totalmente. A sensação final é que tudo fez sentido, mas sem que exista uma revelação avassaladora.

Dos livros que já li de May este foi, provavelmente, o mais rápido. O autor foca-se menos nos cenários e mais no mistério, tornando a narrativa mias rápida apesar de perder um pouco de ambiente quando comparado com os anteriores. Todavia, o facto de durante grande parte do tempo o leitor sentir que está "às cegas" leva a que seja muito difícil parar de ler. Destaque ainda para uma personagem que me surpreendeu pelos seus motivos e por uma decisões que para mim melhorou bastante o livro.

Peter May tem aqui um livro mais rápido e menos sombrio do que outros que escreveu, mas o mistério está aqui do início ao fim. O enredo é original, inteligente e coerente, e o livro é mais psicológico do que esperava. Gostei bastante da ideia base, e mesmo sendo, talvez, o livro que menos gostei do autor, a verdade é que foi uma leitura muito viciante, e que certamente agradará aos fãs do género.

Luís Pinto

quinta-feira, 30 de março de 2017

NA TOCA DO LOBO


Autor: Larry Loftis

Título original: Into the Lion's Mouth





Sinopse: O ambiente no casino estava ao rubro. Um misterioso jogador sérvio não dava qualquer hipótese aos seus adversários. Tratava-se de um agente duplo britânico, Dusko Popov, e o dinheiro que apostava pertencia aos súbditos de Sua Majestade. Ian Fleming, que alcançaria a fama enquanto escritor das aventuras do famoso agente secreto 007, assistia com interesse ao desenlace de tamanha proeza. 
Desde muito cedo, Popov destaca-se como um rebelde playboy.
É expulso da escola preparatória de Londres e, mais tarde, preso e banido da Alemanha por fazer declarações desfavoráveis ao Terceiro Reich. Começa então a verdadeira aventura da sua vida ao transformar-se no mais charmoso e bem-sucedido dos espiões, servindo três poderosos mestres de guerra: Abwehr, MI5 e MI6 e FBI.
A 10 de agosto de 1941, os alemães enviaram Popov aos EUA para construir uma rede de espionagem e reunir informações sobre Pearl Harbor. Desiludido com J. Edgar Hoover, que ignorou os seus avisos sobre o interesse dos japoneses em Pearl Harbor, regressou à sede dos serviços alemães em Lisboa. Mantendo o jogo duplo, conseguiu ajudar o MI5 a lograr a Abwehr sobre a invasão do Dia D.
Sob a máscara de diplomata jugoslavo, viveu intensamente as mais perigosas aventuras e saiu ileso de todos os conflitos.
Na Toca do Lobo é um relato incrível de espionagem, mentiras e altos riscos. É uma história de subterfúgios e sedução, patriotismo e coragem.
É a história de Dusko Popov - a inspiração para James Bond.



Mesmo quem não conheça a história, basta ler a sinopse para perceber perfeitamente sobre o que é este livro. No meu caso, foi o segundo livro que li sobre Popov e é o livro que recomendo.

Com uma escrita bastante acessível o autor leva-nos numa viagem que conta com muita centenas de páginas. O livro apresenta uma boa montagem narrativa e nunca me senti deslocado. O autor explora a personalidade de Popov desde muito novo e, com esse olhar aprofundado ao jovem sérvio, começa a criar a base para que depois seja possível perceber muitas das decisões que este homem enfrentou em momentos extremos. 

Existe aqui um grande trabalho de investigação, bem estruturado e com muitos detalhes que numa primeira fase podem parecer estar a mais e a encher o livro, mas que aos poucos ajudam bastante a moldar o conhecimento sobre este homem. A isto alia-se uma boa capacidade do autor em nos enquadrar com a época, com questões políticas daquele momento, sem nunca deixar de explorar os resultados do que Popov ia fazendo, e como algumas das suas missões moldaram acontecimentos ou decisões politicas/militares de grande importância.

Não existe muito mais que valha a pena falar sobre este livro sem estar a divulgar detalhes e acontecimentos que o leitor deverá ler no contexto e ordem certa. Gostei bastante deste livro e apear de ser um livro grande, nunca baixei o ritmo da leitura, pois é um tema que me interessa bastante e o autor teve a capacidade de me ir cativando constantemente. Se leram esta sinopse e ficaram curiosos, então é um livro a ter na vossa estante.

Luís Pinto

quarta-feira, 29 de março de 2017

NINFAS - Paixão Mortal


Autor: Sari Luhtanen e Mikko Oikkonen

Título original: Nymfit





Sinopse: Romance feminino intenso com uma nova abordagem, onde combina vários elementos; amor e mistério. Uma nova temática que se destaca.
Uma história de amor emocionante, onde as escolhas determinam a forma de viver a realidade.
Com uma linguagem envolvente, o livro oferece-nos vários tipos de elementos - paixão, mistério, luta pela sobrevivência, crise de identidade e duelos entre os grupos de ninfas e sátiros.



Quando me ofereceram este livro, demorei algum tempo até ter vontade de o ler. No entanto, quando comecei a leitura, a história começou com um bom ritmo e bastante focada. A apresentação das personagens está bem conseguida e facilmente entramos na história, percebendo-se de que se trata de um enredo leve e com algum conteúdo sexual.

Ninfas é um livro leve e divertido em alguns momentos com uma base muito interessante. O ritmo acaba por nunca acelerar demasiado, mas a leitura foi sempre fácil, apesar de nunca ter criado grande ligação com a personagem principal, e aos poucos torna-se óbvio que se trata de um livro mais focado no público feminino.

Todavia, o livro nunca me conseguiu agarrar porque senti que alguns momentos são demasiado forçados ou sem a coerência necessária. É verdade que estamos perante uma saga e por isso muito pode ficar por explicar sobre o porquê das decisões de algumas personagens, mas será preciso explicar muito no futuro. Apesar de muito não ser explicado, o enredo em si tem aqui um fim, podendo ser lido como livro isolado e com um final bem pensado. O final, com algumas surpresas e pensado com inteligência, é a melhor parte do livro, dando a sensação que o melhor desta saga ainda estará para vir.

Pelo meio, bastante conteúdo sexual, mas sem nunca ser demasiado forte quando comparado a alguns livros eróticos atualmente no mercado. Um leitor que não aprecie tais momentos poderá sentir que muito do livro se sustenta nestes momentos eróticos, mas também é preciso ver que tais comportamentos encaixam bastante bem nos personagens. 

No geral sinto que não consegui apreciar totalmente este livro por não ter tido grande ligação com a personagem principal.Alguns incoerências e momentos por explicar acabam por impedir que esta seja uma leitura mais consistente. No entanto, se apreciarem este género (que mistura fantasia e erotismo) e procurarem algo leve e diferente, poderá ser uma aposta interessante.

Luís Pinto



segunda-feira, 27 de março de 2017

Passatempo: The Legend of Zelda - The breath of the wild - Wii U


PASSATEMPO

The Legend of Zelda 
The breath of the wild 

Versão Wii U - código



Temos para oferecer, em parceria com o canal Tek Test, um código do jogo The Legend of Zelda - The breath of the wild  para a Wii U.




Para se habilitarem a ganhar, basta:

- Serem fãs/seguidores do Ler y Criticar (aqui)

- Serem fãs do Tek Test (aqui)

 - Subscrever o canal Tek Test (aqui)

- Enviar mail para o endereço tektestpt@gmail.com, com assunto "passatempo Zelda Wii U", indicando o Nome de Subscritor do canal, nome de fã do Ler y Criticar e do Tek Test no Facebook, e a classificação dada ao jogo no vídeo da análise no canal Tek Test.

Atenção que o passatempo termina já no fim do dia 29 de Março!

Boa sorte a todos!


quinta-feira, 23 de março de 2017

ARTE NO SANGUE


Autor: Bonnie Macbird

Título original: Art in the Blood





Sinopse: Sherlock Holmes, de 34 anos, definha e volta à cocaína depois de uma desastrosa investigação sobre Jack, o Estripador.
Watson não consegue consolar nem reanimar o seu amigo, até que chega, de Paris, uma carta codificada de modo estranho.
Mademoiselle La Victoire, uma bonita cantora de cabaré francesa, conta que o filho ilegítimo, que teve com um lorde inglês, desapareceu e que ela foi atacada nas ruas de Montmartre. 



Sou um grande fã de Sherlock Holmes mas nem sempre aprecio na totalidade livros escritos por outros autores. A questão é simples: a expectativa pode matar o livro, porque nenhum autor consegue alcançar a qualidade de Arthur Conan Doyle. O seu Sherlock será sempre único. Posto isto, já existiram bons livros, filmes ou séries que conseguiram agarrar o trabalho de Doyle e adaptá-lo a algo novo e com muita qualidade. A série televisiva Sherlock é um desses casos. Aqui neste livro temos mais uma boa tentativa, mas que não consegue ser fantástica.

Em primeiro lugar, a escrita da autora está boa, sendo capaz de se adaptar bastante bem ao enredo e criando o suspense necessário. O ritmo é interessante e a autora consegue deixar o leitor com as dúvidas necessárias para que a leitura seja viciante, graças também a uma base bastante apelativa. O mistério tem uma boa base e evolui com inteligência, apesar de nem sempre termos perante nós o brilhantismo de Sherlock. A autora consegue explorar com astúcia os motivos de alguns personagens e esse é um dos grandes trunfos do livro, principalmente porque nos ajuda a criar teorias sobre o que estamos a ler.

No entanto o livro peca por apresentar personagens algo incoerentes por comparação ao que se conhece de outros livros. Claro que aqui estamos perante a visão da autora, mas existe sempre a tendência de se comparar estas personagens com as suas versões originais, e aí a autora por vezes afasta-se do Sherlock ou do Mycroft que conhecemos. No entanto, a própria comparação que faço, talvez seja injusta, mas quase inevitável.

Tirando estes detalhes, e que apenas irão desagradar aos fãs de Sherlock, a autora consegue oferecer aqui um bom livro, mas que nunca é fantástico. Os diálogos são bons e a conclusão tem lógica, mas a expectativa pode matar o livro tal como aconteceu com muitos outros que tiveram Sherlock como personagem principal. Resumindo, este livro é um bom policial, mas que tem algumas falhas que os fãs de Sherlock irão notar. No entanto, se gostam do género, este é um livro muito viciante, quer sejam fãs ou não do mais famoso detective do mundo.

Luís Pinto

quarta-feira, 22 de março de 2017

AS INSDÚSTRIAS DO FUTURO


Autor: Alec Ross

Título original: The Industries of the future




Sinopse: Este livro analisa as indústrias que serão a força motriz dos próximos vinte anos de mudanças profundas na economia e na sociedade.
Os capítulos estão estruturados em torno das indústrias-chave do futuro - robótica, ciências da vida avançadas, codificação do dinheiro, cibersegurança e big data -, bem como dos contextos geopolíticos, culturais e geracionais a partir dos quais estas indústrias estão a nascer. Alec Ross selecionou-as não só pela importância que têm em si, mas também porque simbolizam as tendências globais mais abrangentes de um mundo que se verá confrontado com uma necessidade extrema de adaptação, face à mudança relativa ao modo como trabalhamos e vivemos e ao impacto disso mesmo, tão grande quanto desigual, nos nossos meios de subsistência e nas nossas vidas. Se no século XX a linha de separação dominante entre os sistemas políticos e os mercados percorria o eixo que dividia a esquerda da direita, no século XXI essa linha de separação situa-se entre aqueles que possuem modelos políticos e económicos abertos e aqueles que estão fechados. Neste sentido, AS INDÚSTRIAS DO FUTURO é sobretudo um livro acerca da competitividade e daquilo que é preciso para as sociedades, as famílias e os indivíduos prosperarem a partir do fortalecimento do seu recurso mais crítico: as pessoas.



O mundo está cada vez a andar mais depressa, todos os dias, sem parar. Este livro é sobre algumas tendências, sobre como algumas áreas deverão evoluir, quase sempre tendo como base sistemas sociais ou financeiros. Quais são as tendências, o que influencia as massas, para onde vai o dinheiro com os grandes nomes cada vez mais a globalizarem tudo?

Com uma escrita simples o autor aprofunda conceitos financeiros e sociais que fizeram a diferença nos últimos anos e que estiveram na origem do sucesso de algumas empresas e conceitos que tiveram um sucesso estrondoso na nossa sociedade nos últimos anos. A isso, o autor junta uma análise interessante sobre a influência da internet e para onde nos leva a globalização e o acesso instantâneo a tudo o que nos rodeia, desde informações ou serviços.

Com tudo isso como base, o autor perspectiva o que nos espera e como nos devemos adaptar, pois é isso que o mundo está actualmente a fazer a cada instante… adaptar-se a tudo. Gostei da forma como o autor consegue tratar de todos estes temas de forma simples que levarão qualquer leitor a perceber tudo o que é preciso, mesmo sem ter conhecimentos prévios sobre estes temas. O livro está bem estruturado, com o autor primeiro a dar as bases necessárias e depois a começar a aprofundar certos temas tendo o leitor já o conhecimento necessário para que deixem de existir dúvidas e a leitura se torne mais rápida.

É claramente um bom livro, mas focado naqueles que apreciem o tema. Não existe muito mais que possa dizer sem começar a revelar conceitos e ideias que o leitor deverá ganhar durante a leitura. Se olharam para a sinopse e ficaram com interesse, então esta é uma boa leitura.

Luís Pinto

Top Review Awards 2016 - Ler y Criticar ganha Melhor Blog de Literatura



TOP REVIEW AWARDS 2016



Chegou ao fim mais uma votação dos Top Review Awards, uma iniciativa dos Top Imprensa.

Este ano foram várias categorias a concurso, com os nomeados a serem escolhidos pela organização.

Na categoria de Literatura, foram cinco os nomeados e novamente dou os parabéns a todos, com grande destaque para os blog "BranMorrighan" e "A menina dos policiais" que novamente foram nomeados e com toda a justiça. 

Este ano ganhei pela terceira vez consecutiva um prémio de Melhor Blog de Literatura e novamente tenho de agradecer a todos os que votaram em mim. Este blog tem quase 6 anos e tornou-se muito mais do que imaginei no início, principalmente porque sempre quis que este espaço fosse apenas para críticas literárias sem spoilers e o mais imparciais possível para as minhas capacidades. Hoje é um espaço com várias parcerias e mais de um milhão de visualizações.

O tempo é escasso, e muitas vezes nem consigo responder aos comentários e mails que recebo, mas vou continuar a tentar ter opiniões todas as semanas.

O meu muito obrigado a todos os que votaram em mim, aos que me ajudaram com passatempos, parcerias, eventos... aos que comentaram durante todos estes anos. Aos que enviaram mails com opiniões sobre textos meus, aos que enviaram mails a agradecer as minhas opiniões depois de terem lido livros que recomendei. Nunca imaginei manter este blog tantos anos mas espero continuar durante mais alguns.

Para aqueles que não conheçam os restantes blogue nomeados, valem a pena! Vejam os resultados neste link.

Obrigado a todos!

sexta-feira, 17 de março de 2017

REI DOS ESPINHOS


Autor: Mark Lawrence

Título original: King of Thorns





Sinopse: O Príncipe Jorg Ancrath jurou vingar a morte da mãe e do irmão, brutalmente assassinados quando ele tinha apenas 9 anos. Jorg cresce na ânsia de saciar o seu desejo de vingança e de poder, e, ao fim de quatro anos, cumpre a promessa que fez - mata o assassino, o Conde de Renar, e toma-lhe o trono. Aos 18 anos, Jorg luta agora por manter o seu reino, e prepara-se para enfrentar o inimigo poderoso que avança em direção ao seu castelo.


Após um primeiro livro muito viciante, finalmente li este segundo livro em que o autor aproveita para explorar bastante algumas personagens e o mundo que as rodeia.

Em primeiro lugar percebe-se com facilidade que o autor abranda o seu ritmo. O livro está um pouco mais lento na fase inicial, não só para ir explicando o salto temporal entre os livros, mas também para saltar entre as duas narrativas que constituem o enredo. 

O autor explora algumas personagens com mestria, mas o foco está sempre em Jorg, com o qual se cria uma ligação nada fácil de se explicar. São muitos os livros em que estamos perante um personagem principal desprezível, e cabe ao autor desequilibrar a  balança para que o leitor odeie ou não o personagem. Aqui existe um equilíbrio difícil de se conseguir, e que é o grande trunfo do livro. Uma parte de nós percebe Jorg e quer que ele seja o vencedor. Outra parte rejeita todas as suas ações. E é neste misto que o livro nos leva, talvez com a esperança de que o personagem mude no final.

Com o mundo melhor explorado num ritmo ligeiramente mais lento, a personagem de Jorg torna-se fascinante, e sem ela este livro seria apenas banal. No entanto, de um ponto de vista crítico, este livro é superior ao anterior. É mais maduro, mais coerente e mais inteligente no que nos oferece e nos caminhos que percorre. É fácil perceber como o autor melhorou a estrutura do livro ao apostar em certas mudanças na narrativa, e todas elas foram para melhor. Por outro lado o livro sofre por ser o intermédio, não tendo um início fulgurante nem um final que satisfaça totalmente, porque o autor está, claramente, a preparar o terreno para o último livro. São várias as perguntas que ficam no ar, e nota-se que algumas personagens terão maior peso no próximo livro. Tudo isto pensado com inteligência, ficando apenas a faltar um bom livro final.

Este livro é a confirmação da qualidade da saga e do autor. A faltar apenas um livro não há muito a dizer aqui sem desvendar alguns momentos que devem ser lidos. Estou a gostar mais desta série do que esperava e evolução na qualidade deixa-me bastante confiante que o último livro será o melhor de todos. Para já, esta é uma série diferente, muito viciante, e cheia de qualidade. Estou muito ansioso para ler o último.

Luís Pinto

quinta-feira, 16 de março de 2017

BANKSTERS


Autor: Marc Roche

Título original: Les Banksters




Sinopse: Por que é tão difícil a reforma do sistema financeiro? É esta a questão central deste livro. O mundo mudou a 15 de setembro de 2008, com o colapso do banco Lehman Brothers. Desde esse momento, os governos, os reguladores, bem como os meios financeiros, repetem como um mantra: «Nunca mais». As autoridades dispõem agora de mecanismos para descobrir e punir os abusos. Pelo menos do exterior. Porque no fundo, muito poucas coisas mudaram. Continuamos a caminhar sobre um vulcão que pode entrar de novo em erupção apesar das medidas para o impedir. Marc Roche, jornalista de economia na City em Londres, conversou com alguns dos grandes responsáveis económicos mundiais. À primeira vista, pareciam conscientes e preocupados em moralizar o mundo financeiro. Mas a ausência de sentido das responsabilidades é chocante. Alguns dos grandes banqueiros assumiram riscos insensatos ao perseguir o seu interesse pessoal em vez do interesse do seu empregador, para não falar do interesse da sociedade. Um grande número de banksters continua onde sempre esteve: na cúpula. E aparentemente não manifesta nenhum remorso.




Há alguns anos que sou um leitor interessado em muito do que este autor tem dito em entrevistas e conferências. No entanto, este foi o primeiro livro que li de Marc Roche, e claramente que valeu a pena.

Sem problemas em expor problemas, falhas e pessoas, Roche tem uma escrita acutilante mas também capaz de explicar o que é necessário para o leitor compreender até onde este livro está disposto a ir e o quanto realmente revela. Roche, tal como é hábito, faz as perguntas que ninguém quer responder e explica ao autor o porquê de as fazer e ninguém responder. Com cuidado, para que este não seja um livro demasiado especializado para o conhecimento do comum leitor, Roche explica como o sistema financeiro funciona, o que se alterou nos últimos anos, quais as suas falhas estruturais e o que deve ser mudado. 

Claro que o foco está nas mudanças das últimas duas décadas, em que o sistema financeiro quase virou uma casa de apostas e tudo serve para desequilibrar a balança com especulações. Roche explora quem ganha com isso e ao mesmo tempo demonstra como os bancos e outras entidades ligadas ao sistema financeiro conseguem contornar as novas regulamentações criadas para prevenir novas bolhas no setor ou fugas de dinheiro. Roche explora remunerações, objetivos dos banco, os motivos e como fecham os olhos a muito. Pelo meio, a questão mais importante: os verdadeiros culpados têm demasiado dinheiro e poder para alguma vez serem condenados. Então o que tem de mudar?

Quer sejam leitores que conheçam bastante bem o sistema financeiro, ou pessoas sem conhecimentos no assunto, se tiverem curiosidade sobre este livro, então devem mesmo lê-lo. Ao fim de já ter lido cerca de uma dezena de livros sobre o sistema financeiro, este foi, talvez, o que mais gostei. Forte, direto e capaz de ensinar e nos levar a questionar, este é um excelente livro.

Luís Pinto 

quarta-feira, 15 de março de 2017

ACADEMIA JEDI


Autor: Jeffrey Brown





Sinopse: Um livro indispensável para os fãs de Star Wars, para jovens e adultos com filhos que, simplesmente, gostem do universo Star Wars.
Livro de BD em capa dura que conta a história de um rapaz que quer entrar na Escola Preparatória da Academia de Pilotos e não consegue, acaba por ir para a Academia Jedi, dirigida pelo Mestre Yoda.






Quando criei o blog há uns bons anos, tinha como objectivo falar sobre todos os géneros de literatura. Claro que todos nós temos géneros favoritos, e isso também se nota no meu blog, mas tento falar sobre tudo um pouco. Por isso, após ter lido um pesado livro sobre a vida de Vladimir Putin, decidi ler e escrever sobre este livro para crianças. Claro que o facto de ser fã de Star Wars ajuda bastante à decisão de ler qualquer livro infantil do tema tal como já fiz aqui no passado.

Academia Jedi é mais um livro divertido e que explora de forma cómica e inteligente o universo Star Wars. Sendo um livro pequeno e que se lê bastante rápido, qualquer criança irá gostar destas histórias, principalmente se gostar dos personagens. Claro que um fã, que conheça bem este universo, irá encontrar aqui muitas referências aos filmes e perceberá melhor o comportamento de algumas personagens, mas o interessante é sentir que qualquer pessoa, mesmo tendo pouco conhecimento do universo de George Lucas, poderá apreciar estes livros e passar uns momentos divertidos.

Mesmo “já não tendo idade para estes livros” a verdade é que estas leituras são um momento bem passado, devido ao facto de ser um grande fã. Não há muito mais que possa dizer sobre o livro sem revelar o que acontece. É divertido rever estas personagens num contexto diferente, os desenhos de certeza que agradam aos mais novos e a simplicidade do que acontece torna-o num bem focado no seu público alvo.

Se têm um pequenote lá em casa, este é um livro a ter.

Luís Pinto

terça-feira, 14 de março de 2017

O NOVO CZAR


Autor: Steven Lee Myers

Título original: The new Tsar





Sinopse: Biografia sobre Putin que permite compreender de que modo o presidente da Rússia se tornou uma das ameaças mais graves para a segurança americana. O seu percurso épico desde a obscuridade da espionagem até ao poder revela as origens de pobreza extrema em Leninegrado, a sua ascensão no KGB, a sua consolidação política e a sua posição nos acontecimentos mais marcantes - o 11 de setembro, a guerra da Rússia na Geórgia em 2008, bem como a anexação da Crimeia e o conflito em curso na Ucrânia. Apesar do apoio do povo russo, o novo czar é tão temido quanto detestado a nível internacional



Este é o terceiro livro que leio sobre Vladimir Putin, e é claramente o melhor. Porquê? Porque é o mais imparcial. Mas vamos por partes. O que distingue este de outros livros está no facto de não ser claramente a favor ou contra o Presidente russo.

O que temos aqui é um livro bastante grande, resultado de uma investigação bem feita e que tenta olhar para toda a vida de Putin, sempre de forma o mais imparcial possível. Aliás, este é para mim o grande trunfo do livro: o de deixar o leitor pensar, questionar e retirar as suas próprias opiniões, sem ser esmagado pela opinião do autor. Graças a esta mentalidade, é mais fácil perceber o quanto o livro nos consegue explicar as motivações e o porquê de muitas das decisões de Putin durante todos estes anos.

Outro aspeto muito interessante está no facto de o autor explorar a própria História do país para explicar muito do que Putin fez, ou de como conseguiu fazê-lo. Ficamos com uma imagem bem clara do que é a sociedade russa, dos seus medos, objectivos, de como olham para o futuro e o que esperam dos políticos que governam o país. E como tudo isto se torna mais fácil, mesmo para quem não conheça a realidade russa (social, económica, religiosa ou política), perceber muito do que Putin fez, mas principalmente como os russos observam as suas decisões.

Com uma escrita simples e uma narrativa bem elaborada, o autor dá os detalhes certos nos momentos certos. Nunca me senti perdido na leitura e mesmo já tendo lido outros livros, acho que este foi o mais completo que li até agora sobre Putin, pois consegue explorar as várias fases da vida que moldaram este homem.

É verdade que é um livro grande e apenas será interessante para quem tenha curiosidade pelo assunto, e o facto de ser bastante grande poderá levar alguns leitores a intervalarem com outro livro, mas o que vos posso dizer é que para mim foi uma leitura muito interessante e com bastante qualidade, principalmente pela maior imparcialidade que já antes mencionei.

Se ao lerem a sinopse do livro, sentirem algum interesse, então este é um livro que aconselho.

Luís Pinto

segunda-feira, 6 de março de 2017

GLADIADOR


Autor: Simon Scarrow

Título original: The Gladiator





Sinopse: Após uma campanha brutal contra a Pártia, os centuriões Macro e Cato navegam para Roma. Ao aproximarem-se da costa de Creta, a viagem é interrompida pelo abalo de um terramoto e quase perdem as vidas no mar. Com o navio severamente danificado, são forçados a dar à costa. E o que encontram é uma província mergulhada no caos. Os escravos aproveitaram o desastre natural para se revoltarem. Contra uma legião forte, não teriam hipóteses, mas a guarnição é fraca e os rebeldes começam a ganhar em todas as linhas. Apanhados de surpresa, Macro e Cato são forçados a lidar com uma rebelião que pode alastrar a todo o Império. Mas para isso terão de derrotar o líder dos rebeldes: Ajax, um gladiador que não teme a morte e é movido por um imenso desejo de vingança. Será que o fim do Império Romano pode estar na ponta da espada de um gladiador?




Este nono livro da saga da Águia é, em vários aspetos, o mais diferente de todos. Como podem ver pela sinopse, os personagens principais têm pela frente uma tarefa diferente da normal, dando ao autor a possibilidade de explorar outros temas e formas de executar a narrativa. O autor foge, e bem, de alguns temas já explorados na saga para conseguir explorar outros, com grande foco na revolta e no ódio dos escravos.

Com a atenção nesta realidade, a linha que separa os bons dos maus é bastante ténue em alguns momentos. Uma vez mais o autor não se limita a mostrar a imagem que alguns romanos têm de Roma, tornando o livro mais equilibrado. Para tal, explora as condições dos escravos, a vida de algumas personagens, as injustiças da sociedade e como são tratados pelos romanos. Graças a isso, é possível sentir o porquê da revolta e perceber como para esses escravos era preferível morrer a lutar do que continuar numa vida de escravidão.

Usando uma calamidade natural, o autor explora a possibilidade de um grupo de escravos arriscar tudo numa oportunidade que poderá, caso bem sucedida, alastrar por todo o império, podendo criar uma sensação de revolta e esperança que deve ser combatida pelos romanos para que o caos não seja instalado.  E é com estes dois pontos de vista que o livro avança, e bem, levando algumas personagens a importantes decisões que surpreendem mas são coerentes com o que conhecemos dos mesmo.

O que me agrada nesta saga é a facilidade como se lê e a consistência que tem. Ao fim de nove livros é fácil perceber que o autor nunca chega ao nível de obra prima, mas também nunca desilude. Como já disse, não conseguiria ler todos os livros de seguida, mas ao fazer intervalos, sempre que regresso a esta saga, regresso com vontade e a leitura é sempre muito agradável e viciante. Próximos livros daqui a uns tempos!

Luís Pinto




sexta-feira, 3 de março de 2017

OS GRANDES FARAÓS DO ANTIGO EGITO


Autor: Luís Manuel de Araújo




Sinopse: Durante mais de três mil anos, cerca de trezentos faraós sentaram-se no trono do Egito. Uns são conhecidos pelas suas obras ou batalhas que protagonizaram, como Ramsès II, ativo construtor é grande combatente, outros por serem fundadores de tempos novos ou por terem provocado grandes revoluções, como Ahmés ou Akhenaton, marido da bela Nefertiti que chocou ao imprimir um novo culto religioso à divindade solar, outros ainda graças ao legado funerário impressionante que chegou aos dias de hoje, como o de Tutankhamon, cujos feitos são poucos conhecidos mas o seu espólio, encontrado intacto no Vale dos Reis, é famoso. É a extraordinária história destes homens de poder que o egiptólogo Luís Manuel de Araújo nos conta, de forma cronológica, nesta obra original e única. Amplamente ilustrado, baseado numa investigação e estudo aprofundado da realeza egípcia, Os Grandes Faraós do Antigo Egipto, relata a história das trinta dinastias, destacando 30 dos mais famosos e conhecidos reis do país do Nilo. Através destes homens viajamos pelo Império Antigo, o Império Médio e finalmente o Império Novo, numa viagem pela longa e curiosa história da civilização egípcia.




Desde que pequeno que tenho um grande interesse por algumas civilizações, e tal, obviamente, reflete-se nas minhas leituras, muitas das quais nem falo aqui no blog. Uma dessas civilizações é a Egípcia, sobre a qual já li bastante e que continua a fascinar-me, com as suas tradições, mitologias, engenharias, sistema social, arquitetura, etc...

Dentro do tema, pouco será mais interessante do que ler sobre os mais importantes Faraós, e foi por isso que decidi ler este livro que explora a vida de 30 faraós. Em primeiro lugar devo dizer que já li vários livros sobre o assunto, alguns deles bastante mais extensos e exaustivos. No entanto, o que me agradou neste livro foi o facto de o autor nos dar o essencial sem entrar num texto demasiado académico e, por isso, a leitura foi sempre viciante.

O autor foca-se nos momentos mais importantes da vida de cada faraó, olhando para as decisões mais marcantes, explorando a sociedade que cada um teve pela frente, quais os desafios, quais os triunfos de cada uma, quais os erros mais importantes. Pelo meio o autor explora o necessário da sociedade egípcia para que o leitor perceba o impacto de cada faraó e o porquê de muito do que fez, tendo em conta não só o estado do país, mas também as ameaças externas.

A escrita é simples, bem estruturada e capaz de agarrar qualquer leitor que queira saber mais sobre o tema. A forma leve como o autor explora certos temas, já tendo uma base bem criada, leva-me a sentir que nenhum leitor se sentirá deslocado neste livro, mesmo que não saiba nada sobre o tema antes da leitura.

Dentro do seu tema, este foi dos melhores livros que já li, principalmente porque consegue ter um bom equilibro entre conhecimento e o ritmo necessário para não se tornar exaustivo para quem esteja a entrar no tema, pois este é, claramente, um livro para quem está a começar a ganhar conhecimento sobre o assunto, não tendo como objetivo ser um livro exaustivo sobre o tema, mas sim apelativo. Se o tema vos interessa, então é um livro a ter.

Luís Pinto