quinta-feira, 19 de outubro de 2017

UMA COLUNA DE FOGO


Autor: Ken Follett

Título original: A column of fire





Sinopse:  Natal de 1558. O jovem Ned Willard regressa a Kingsbridge, e descobre que o seu mundo mudou.
As velhas pedras da catedral de Kingsbridge contemplam uma cidade dividida pelo ódio de cariz religioso. A Europa vive tempos tumultuosos, em que os princípios fundamentais colidem de forma sangrenta com a amizade, a lealdade e o amor. Ned em breve dá consigo do lado oposto ao da rapariga com quem deseja casar, Margery Fitzgerald.
Isabel Tudor sobe ao trono, e toda a Europa se vira contra a Inglaterra. A jovem rainha, perspicaz e determinada, cria desde logo o primeiro serviço secreto do reino, cuja missão é avisá-la de imediato de qualquer tentativa quer de conspiração para a assassinar, quer de revoltas e planos de invasão.
Isabel sabe que a encantadora e voluntariosa Maria, rainha da Escócia, aguarda pela sua oportunidade em Paris. Pertencendo a uma família francesa de uma ambição brutal, Maria foi proclamada herdeira legítima do trono de Inglaterra, e os seus apoiantes conspiram para se livrarem de Isabel.
Tendo como pano de fundo este período turbulento, o amor entre Ned e Margery parece condenado, à medida que o extremismo ateia a violência através da Europa, de Edimburgo a Genebra. Enquanto Isabel se esforça por se manter no trono e fazer prevalecer os seus princípios, protegida por um pequeno mas dedicado grupo de hábeis espiões e de corajosos agentes secretos, vai-se tornando claro que os verdadeiros inimigos  ̶  então como hoje  ̶  não são as religiões rivais.
A batalha propriamente dita trava-se entre aqueles que defendem a tolerância e a concórdia e os tiranos que querem impor as suas ideias a todos, a qualquer custo.



Ken Follett regressa ao tema que lhe deu o seu maior êxito. O mundo de Os Pilares da Terra é o local para o qual somos transportados quando ouvimos falar deste autor. Este é o terceiro livro desta saga que apesar de se passar no mesmo mundo, conseguem ser lidos de forma independente. No entanto, será sempre melhor ter lido os dois anteriores livros para perceberem toda a história e ligações que existem neste livro.

Follett mantém a sua escrita inteligente, bem estruturada, e com um ritmo oscilante que nos leva a avançar furiosamente nuns momentos e a pausar noutros, questionando o que estamos a ler, as implicações de certos atos, o porquê do que está a acontecer.

A brilhantismo deste livro está na forma como o autor nos transporta para este mundo. Os detalhes são constantes, a forma como a atmosfera é descrita faz a diferença e aos poucos tudo se torna mais imersivo. É fácil imaginar estes locais, é fácil perceber os receios, os traumas, as esperanças destas personagens. É fácil sentir a tensão religiosa, o amor, o ódio. É fácil sentir o preconceito. Para tal, o autor explora personagens com características únicas, por vezes algo clichés, mas que ajudam a sustentar e aprofundar a própria história.

Outro aspeto positivo está no contraste que o autor faz entre os ambientes mais ricos e mais pobres da sociedade, criando contrastes significativos nos momentos em que menos esperamos, mas que, por vezes, se notam num simples diálogo que parece não oferecer nada à história, mas consegue criar algo. Uma ideia, uma noção que irá sustentar algo mais à frente.

Enquanto enredo, Follett faz uma história interessante mas que não consegue ter o impacto ou o carisma de Os pilares da Terra, que é uma obra marcante. No entanto, olhando para a qualidade deste livro, é fácil recomendá-lo aos fãs da saga, até porque consegue ser melhor do que o segundo livro da saga. Se gostam de romances históricos ou se são fãs da saga, então devem ler este livro e voltar a sentir o que este mundo ainda tem para dar.

Luís Pinto




sexta-feira, 13 de outubro de 2017

MOMENTOS DECISIVOS DA HUMANIDADE


Autor: Stefan Zweig

Título original: Decisive Moments in History




Sinopse: Este livro reúne alguns momentos decisivos da humanidade. São aqueles em que, nas palavras do próprio Zweig, «o drama reveste formas inauditas, imensas»




Stefan Zweig foi um escritor que explorou as mais diversas formas de escrita e os temas mais diversificados. Neste livro, Zweig escolhe alguns momentos, por exemplo batalhas ou decisões, que foram de alguma forma marcantes para a História da humanidade. Não se trata de explorar os mais decisivos nem de explicar porquê, mas sim de aprofundar momentos escolhidos pelo autor, sem deixar de notar que existem pontos comuns a cada momentos.

Com uma escrita pausada e inteligente, Zweig explora momentos marcantes, e talvez até um pouco desconhecidos da maioria dos leitores, mas aos poucos percebemos que o momento em si não é a base do livro, mas sim a humanidade. O que Zweig tenta aqui explorar e desmascarar é o ser humano, a sua necessidade por mais, seja esse mais o que for. Pode ser amor, pode ser poder, pode ser riqueza. A questão é que queremos sempre mais.

O que mais apreciei neste livro foi a forma como o autor olhou para a humanidade enquanto um todo. Explora a natureza humana e nota-se como um livro com tantas dezenas de anos ainda está tão atualizado em relação ao que somos e para onde vamos. A isto juntou-se, na minha leitura, a curiosidade de o autor explorar momentos que eu nunca escolheria como decisivos, mas aos poucos comecei a perceber as suas escolhas. Eu teria escolhido outros, e cada leitor escolheria outros. Talvez esteja aí a singularidade desta narrativa.

Inteligente, atualizado e capaz de criar várias ligações entre momentos enquanto leva o leitor a pensar e a questionar causas e efeitos, este foi um livro que me agradou bastante, talvez pela visão singular do autor. Não é um livro viciante, nem o tenta ser, mas consegue ser único à sua maneira, sendo uma leitura que agradará aos que, ao olharem para esta simples sinopse, fiquem curiosos por saber mais. Mais um bom livro de Stefan Zweig.

Luís Pinto

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

PASSATEMPO - PES 2018


PASSATEMPO

PES 2018 - PS4



E aqui temos mais um passatempo em parceria com o blog Tek Test

Para se habilitarem a ganhar basta serem fãs do blog Tek Test, partilharem o passatempo e preencherem o formulário.

O passatempo termina dia 22 de outubro e apenas é permitida uma participação por fã.

O vencedor será contactado por e-mail para indicar a morada onde receberá o prémio.

Boa sorte a todos!




terça-feira, 10 de outubro de 2017

PASSATEMPO: O terceiro desejo


PASSATEMPO

O terceiro desejo



Estamos de volta aos passatempos e até ao natal serão vários! Hoje temos um exemplar para oferecer em parceria com o blog Tek Test (blog sobre videojogos e tecnologia área onde a saga The Witcher terá sempre um espaço de destaque)

Para se habilitarem a ganhar basta serem fãs dos dois blogues, partilhar o passatempo e preencherem o formulário com os vosso dados.

Apenas é permitida uma participação por pessoa.

O passatempo termina dia 22 de outubro

Estejam atentos, porque vamos ter muitos passatempos em breve!

Boa sorte a todos!

Sinopse: O seu nome é Geralt de Rivia. Dizem que é um bruxo e um assassino sem misericórdia que vagueia pelo mundo à caça de monstros e predadores. Mas na verdade vive de acordo com o seu próprio código de conduta. A sua espada serve, em troca de uma recompensa, poderosos reis amaldiçoados, mas também os mais desfavorecidos.
Ao longo das suas viagens, Geralt encontra todo o tipo de criaturas – algumas saídas da mitologia eslava e dos contos populares dos irmãos Grimm – como vampiros e lobisomens, elfos, quimeras e estriges, trolls e génios que o tentam, satisfazendo todos os seus desejos.
Mas este é apenas o início das suas aventuras como viajante e feiticeiro que irá desafiar o destino num mundo em que criaturas de todas as raças coabitam numa paz precária prestes a despedaçar-se…




 

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

VADER ABATIDO


Título original:  Vader Down




Sinopse: A primeira recompilação das duas séries mais vendidas na nova era MARVEL: Star Wars e Darth Vader, o vilão mas amado do universo Star Wars. Todas as suas personagens preferidas estão aqui: Luke, Vader, Leia, Aphra, Han, C-3PO, R2-D2, Triplo- Zero e BT-1! Há também uma batalha entre Wookies e Chewbacca contra Krrsantan.



Novamente regresso a Star Wars para mais uma leitura de uma BD da Marvel. Uma vez mais a "parceria" Disney/Star Wars/Marvel dá frutos e demonstra a qualidade exigida a estes nomes. Num livro que cruza as sagas Darth Vader e Star Wars que já aqui li em BD, este livro é essencial a qualquer fã, não só porque as nossas personagens favoritas estão aqui, mas porque a história merece ser lida.

Muito do que já disse sobre as BD de Star da Marvel poderia voltar a dizer agora. A qualidade da capa dura e do papel são de aplaudir e novamente dou os parabéns à editora Planeta por aposta na qualidade de tudo o que envolve esta saga. Depois, na parte gráfica não há nada a apontar de negativo. As ilustrações estão fantásticas, sempre cheias de detalhe, de qualidade e com uma realização e montagem que nos fazem perceber a cada instante o que está a acontecer e a identificar personagens e locais.

O ritmo está bastante bom, sempre alto e conseguindo inserir os momentos ou detalhes mais característicos da saga, não só nos comportamentos dos personagens que conhecemos, mas também com diálogos ou acontecimentos que parecem mesmo Star Wars. A isto junta-se um enredo intenso, muito bem concretizado graças à narrativa e à forma como a história está contada.

Não existe muito que possa dizer sobre este livro sem revelar nada. Uma vez mais os autores exploram Vader, tentando aprofundar a sua evolução e adaptação de Anakin para Vader, mas não só. Existem aqui várias personagens que são exploradas, tornando esta BD, provavelmente, na mais abrangente até agora. A saga continua em grande e merece ser lida por qualquer fã. Se gostam de Star Wars não podem deixar escapar estas páginas. Muito bom!

Luís Pinto

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

OS ROMANOV - Livro I - Ascensão


Autor: Simon Sebag Montefiore

Título original: The Romanov





Sinopse: Os Romanov foram a mais bem-sucedida dinastia dos tempos modernos. Como foi possível uma família transformar um reino débil e arruinado, devido à guerra civil, no maior império do mundo? E como deitaram tudo a perder?
Esta é a história de vinte czares e czarinas, alguns tocados pelo génio, outros pela loucura, mas todos inspirados pela sagrada autocracia e ambição imperial. Esta arrebatadora narrativa revela de forma magistral a família Romanov - o seu mundo secreto de poder ilimitado, a implacável construção de um império, ensombrado por conspirações palacianas, rivalidades familiares, assassinatos, decadência e excessos sexuais, a influência dos cortesãos, aventureiros, revolucionários e poetas. É apresentado um vasto painel de figuras desde Ivan, o Terrível, a Tolstoy, da rainha Vitória a Lenine, de Pedro, o Grande, a Catarina, a Grande.
Baseado numa aprofundada pesquisa de arquivos a que nunca tinha havido acesso, esta é uma obra fascinante e indispensável para conhecer a história empolgante de triunfo e de tragédia, de amor e de morte, de uma família e de um imenso país - um estudo universal do poder e um retrato essencial do império que define a Rússia atual. Uma obra de leitura obrigatória que a Presença publica em dois volumes. 



Quando li esta sinopse fiquei com curiosidade em aprofundar este livro, pois retrata um tema que não conheço muito bem. Tal como a sinopse indica, este livro explora a ascensão da poderosa família Romanov e a enorme mudança que fizeram num império em queda.

Com uma escrita interessante e capaz de perceber o que deve explorar e o ritmo a que o deve fazer, o autor parte do princípio, e bem, de que o autor poucos ou nenhum conhecimentos tem do tema. com isto o livro de imediato começa a cativar, pois começamos a compreender o essencial numa fase inicial do livro, levando depois aos momentos mais marcantes. O autor explora tudo o que foi importante durante estes duzentos anos de ascensão, originando um livro de mais de quinhentas páginas, mas que se lê bastante bem.

Com uma narrativa cronológica, o autor consegue explorar bem a evolução social e política que os Romanov implementaram, principalmente porque o autor se foca bastante em tudo o que envolve a família, desde questões sociais e religiosas, passando pela política interna e externa. A visão que este livro nos dá, e o detalhe em cada capítulo leva-nos a sentir que estamos a viver naquela época e a sentir realmente os efeitos, os preconceitos, as dificuldades. Por tudo isto, um livro que poderá parecer ter um tema denso e complexo, consegue ser cativante, levando a que estas mais de quinhentas páginas não custem a ler.

Visto que ainda me falta ler o segundo livro, que retrata a queda da família, deixarei uma opinião mais detalha para depois. No entanto, há facto indiscutíveis  neste livro: o conhecimento do autor está muito bem sustentado numa pesquisa que aqui dá frutos. Desde o início ao fim senti que estava perante um livro completo e com o qual aprendi bastante. Se acham o tema interessante, então é um livro para estar na vossa estante.

Luís Pinto

terça-feira, 26 de setembro de 2017

A ESPADA DO DESTINO


Autor: Andrzej Sapkowski






Sinopse: Venha conhecer os livros que inspiraram o popular jogo - The Witcher
Continuando as histórias narradas em O Terceiro Desejo, este é o regresso do misterioso Geralt de Rivia, um homem temido pela sua reputação de bruxo e assassino sem misericórdia. Ele erra pelas florestas e cidades à caça de monstros e demónios saídos de lendas antigas, protegendo inocentes e vítimas do mal.
As suas aventuras como viajante e feiticeiro irão levá-lo aos quatro cantos do mundo, conhecendo personagens que irão influenciar o seu destino e envolvendo-o nas mais extraordinárias histórias de amor, sacrifício, coragem e compaixão. Aos poucos prepara-se o caminho para o maior desafio da sua vida: a guerra iminente que se avizinha entre todas as raças.




Sendo este o segundo livro da saga que inspirou os jogos The Witcher, as expectativas têm de estar altas, até porque o primeiro livro é bastante bom. No primeiro livro encontramos uma boa criação do mundo que aqui começa a ser explorado. Globalmente, o mundo aqui criado é um dos grandes trunfos do livro e da saga até agora, pela sua coerência e por apresentar detalhes que nos fazem sentir que este mundo está vivo e que faz sentido. A isto junta-se a sensação de que estamos perante um universo com passado que serve de base para o que está a acontecer e também para se compreender as personagens.

Numa fase inicial, até podemos achar que a história se foca demasiado em Geralt, mas a verdade é que não. São vários os momentos em que se nota o esforço do autor em abrir os horizontes ao leitor, explorando outros pontos de vista, mesmo que indiretamente. Com esta "ginástica" na sua narrativa, o autor consegue levar-nos a perceber que a linha que separa os bons dos maus é bastante ténue, oferecendo uma boa dose de realismo e também de imprevisibilidade ao enredo.

Com um ritmo bem conseguido, tal como a montagem da própria narrativa, o livro é lido a grande velocidade, sendo fácil agarrar o leitor, até porque a personagem é bastante cativante. Outro aspeto que o autor explora bastante bem está no facto de serem vários os momentos em que o livro relembra o leitor de que ainda há muito sobre este mundo que não foi revelado, levantando novas questões de forma coerente.

Estando ainda numa fase inicial da saga, não há muito mais a dizer. Em vários aspetos o autor consegue melhorar em relação ao livro anterior, principalmente porque consegue explorar o mundo que começou a criar na obra anterior, oferecendo oportunidades que fazem a diferença. Inteligente, coerente, viciante e capaz de surpreender, este é um dos melhores livros de fantasia que li este ano, e um livro que os fãs do género irão adorar. Agora é esperar pelo próximo, porque esta saga promete!

Luís Pinto



segunda-feira, 11 de setembro de 2017

O OLHAR DA MENTE


Autor: Hakan Nesser

Título original: Det grovmaskiga nätet




Sinopse: Uma manhã, o conceituado professor Janek Mitter acorda completamente desorientado no seu apartamento. Com a cabeça a latejar, sem se lembrar de nada da noite anterior, vagueia pela casa até encontrar a mulher, Eva Ringmar, morta na banheira. Apesar de Mitter ter chamado logo a polícia, é considerado o principal suspeito do crime.
Quando o experiente inspetor Van Veeteren é chamado para investigar o caso, duvida imediatamente da simplicidade do mesmo, mas Mitter acaba por ser julgado pelo homicídio da sua companheira e é condenado a cumprir pena num hospital psiquiátrico.
Quando, pouco tempo depois, o professor aparece assassinado no hospício, Van Veeteren reabre o caso e avança com uma investigação às duas mortes. Partindo de uma carta enviada por Mitter pouco tempo antes da sua morte, o inspetor entra numa aterradora viagem a um passado terrivelmente sombrio.
 

Este é um livro que tenta agarrar o leitor desde o início ao dar a sensação de que estamos perante algo mal contado e que existe injustiça no que está a acontecer. Com isto como base, o livro começa a desenvolver as suas personagens com inteligência e uma boa camada de mistério. O enredo está bem montado na generalidade apesar existirem alguns momentos forçados em que o autor tenta manter o suspense sobre algo que o leitor já poderá ter adivinhado. 

A escrita, simples e objetiva, ajuda a que o ritmo seja sempre elevado, apesar de por vezes falhar ao não conseguir mascarar alguns detalhes que mais tarde serão importantes mas que o leitor não deveria já identificar como fulcrais. 

Com um ritmo em crescendo e sempre uma sensação de injustiça, o livro apresenta bons momentos, principalmente porque o autor consegue de forma simples criar um ambiente capaz de nos envolver. No entanto, existem alguns aspetos e temas que gostava de ter visto o autor a explorar melhor, mesmo que sendo obrigado a diminuir o ritmo. É verdade que o personagem principal está bem criado, com bastante destaque e profundo o suficiente para percebermos o que o move e os seus traumas, mesmo percebendo-se que muito fica por explicar em relação ao personagem. 

O enredo é inteligente mas nunca consegue ser fantástico, faltando talvez aquele momento que nos deixa de boca aberta de surpresa. O facto de ser um livro rápido e bastante focado no tema principal, leva a que alguns momentos sejam mais óbvios ou mais forçados. Todavia, e apesar de não ser um livro que me tenha surpreendido, o suspense está mesmo muito bem conseguido e cria uma boa personagem principal para próximos livros. Quando acabei o livro ficou a sensação que poderia ser melhor, principalmente porque a personagem principal está muito bem criada, sendo uma lufada de ar fresco no género. Não é uma obra prima mas tem bons momentos. Se gostam de policiais, este pode ser uma boa escolha, principalmente pelo ambiente que consegue criar.

Luís Pinto

O novo romance de Ken Follett chega amanhã às lojas



É amanhã que chega às lojas o novo romance de Ken Follett que nos leva uma vez mais ao mundo de Os Pilares da Terra. 



Sinopse: Natal de 1558. O jovem Ned Willard regressa a Kingsbridge, e descobre que o seu mundo mudou. As velhas pedras da catedral de Kingsbridge contemplam uma cidade dividida pelo ódio de cariz religioso. A Europa vive tempos  tumultuosos, em que os princípios fundamentais colidem de forma sangrenta com a amizade, a lealdade e o amor. Ned em breve dá consigo do lado oposto ao da rapariga com quem deseja casar, Margery Fitzgerald.
Isabel Tudor sobe ao trono, e toda a Europa se vira contra a Inglaterra. A jovem rainha, perspicaz e determinada, cria desde logo o primeiro serviço secreto do reino, cuja missão é avisá -la de imediato de qualquer tentativa quer de conspiração para a assassinar, quer de revoltas e planos de invasão.
Isabel sabe que a encantadora e voluntariosa Maria, rainha da Escócia, aguarda pela sua oportunidade em Paris. Pertencendo a uma família francesa de uma ambição brutal, Maria foi proclamada herdeira legítima do trono de Inglaterra, e os seus apoiantes conspiram para se livrarem de Isabel.
Tendo como pano de fundo este período turbulento, o amor entre Ned e Margery parece condenado, à medida que o extremismo ateia a violência através da Europa, de Edimburgo a Genebra. Enquanto Isabel se esforça por se manter no trono e fazer prevalecer os seus princípios, protegida por um pequeno mas dedicado grupo de hábeis espiões e de corajosos agentes secretos, vai-se tornando claro que os verdadeiros inimigos, então como hoje, não são as religiões rivais.
A batalha propriamente dita trava-se entre aqueles que defendem a tolerância e a concórdia e os tiranos que querem impor as suas ideias a todos, a qualquer custo.

Depois de "Os pilares da Terra" e "Um mundo sem fim", Follett regressa assim ao mundo onde teve o seu maior êxito literário. Espero ter uma análise em breve. Fiquem atentos!
 

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

O EXECUTOR


Autor: Lars Kepler

Título original: Nightmare





Sinopse: Uma mulher aparece misteriosamente morta numa embarcação de recreio ao largo do arquipélago de Estocolmo. O seu corpo está seco, mas a autópsia revela que os pulmões estão cheios de água. No dia seguinte, Carl Palmcrona, director-geral de Armamento e Infraestruturas de Defesa da Suécia, é encontrado enforcado em casa. O corpo parece flutuar ao som de uma enigmática música de violino que ecoa por todo o apartamento.
Chamado ao local, o comissário da polícia Joona Lina sabe que na sua profissão não se pode deixar enganar pelas aparências e que um presumível suicídio não é razão suficiente para fechar o caso. Haverá possibilidade de estes dois casos estarem relacionados? O que poderia unir duas pessoas que aparentemente não se conheciam?



Lars Kepler é um dos grandes nomes da literatura policial atual. Depois do enorme sucesso que teve com O Hipnotista, a saga continua neste O Executor e, apesar de as comparações acontecerem mesmo sem tentarmos, este livro difere bastante do livro anterior.

Em primeiro lugar estamos perante um livro muito mais violento em termos gráficos. A narrativa explora em detalhe o que aconteceu em cada caso, explorando momentos gráficos que poderão não agradar tanto a alguns leitores, mas que servem para envolver o leitor ainda mais num enredo que desde o início nos agarra.

Neste livro, Lars Kepler (que na realidade são dois escritores) volta a demonstrar os seus trunfos mas também as suas falhas. Por um lado estamos perante um autor que consegue criar um ritmo narrativo bastante interessante e com intensidade, levando o leitor a continuar a ler sem parar. A isto junta-lhe uma boa exploração de cenários fortes e, neste caso, uma boa trama política e moral com grande foco na corrupção. No entanto, as suas falhas continuam a aparecer em várias páginas. Ao dar primazia ao ritmo e intensidade, o livro falha por em alguns momentos os seus personagens não tirarem conclusões lógicas e que fariam avançar o enredo de forma mais conclusiva, mas talvez menos intensa. A questão é que o autor força em vários momentos para que o suspense se mantenha vivo, e ficamos a perguntar "mas porque é que o personagem X aqui não se lembro de fazer Y, tornando tudo muito mais simples". O resultado é estarmos perante um personagem principal que demonstra ser inteligente mas que em alguns momentos não tira conclusões óbvias e que iriam diminuir o número de possibilidades e suspeitos.

Tirando estes momentos em que o autor claramente força, o livro ganha bastante pela forma como está montado, apesar de por vezes estranhar o foco que se deu a uns acontecimentos e não a outros. No entanto, a base está bem conseguida, principalmente pela forma como a narrativa nos leva a questionar a existência de corrupção a cada esquina.

Outro aspeto bastante positivo neste livro é o facto de Joona, o personagem principal, ter aqui muito mais tempo de antena, sendo mais fácil ao leitor conhecê-lo e perceber os seus motivos. Com isso cria-se uma ligação interessante quer se goste ou não do personagem. 

Olhando globalmente este livro, estamos perante um livro que em vários aspetos é melhor do que o anterior. É mais coeso e coerente apesar de continuar a ter momentos forçados. A trama é boa e inteligente, e agradará aos fãs do género. Não é uma obra prima no género, mas é uma leitura bastante compulsiva.

Luís Pinto


sexta-feira, 11 de agosto de 2017

O CÍRCULO


Autor: Dave Eggers

Título original: The Circle





Sinopse: No dia em que Mae Holland é contratada para trabalhar no Círculo, a empresa de internet mais influente do mundo, sabe que lhe concederam a oportunidade da sua vida. Através de um inovador sistema operativo, o Círculo unifica endereços de e-mail, perfis de redes sociais, transações bancárias e códigos de utilizador, construindo uma identidade virtual única no sentido da criação de uma nova era de transparência. Mae Holland entusiasma-se com a atividade da empresa, os amplos espaços para o desenho, as cafetarias envidraçadas e as acolhedoras instalações do campus. Todos os dias se organizam festas, concertos ao ar livre e, claro, atividades desportivas. E há diversos géneros de clubes e acesso a um aquário de peixes exóticos. Mae sente-se feliz por participar num turbilhão que parece fazer parte do centro do mundo, apesar de se distanciar cada vez mais da sua vida fora do campus. Mas o que começa como uma fascinante história de ambição profissional e idealismo depressa se transforma num romance de suspense que coloca algumas das mais candentes questões da atualidade: o papel da memória, o passado, a privacidade, a democracia e os limites do conhecimento.



Este é um dos livros mais famosos dos últimos tempos, apesar de em Portugal não ter tido o impacto que teve noutros países. A história de imediato me chamou a atenção, principalmente por ser um tema que tenho lido bastante e que se aproxima do fantástico livro 1984.

A base é simples: a nossa sociedade está a mudar a uma velocidade enorme. Estamos todos conectados e por normal iniciativa partilhamos cada vez mais tudo o que fazemos, onde estamos, com quem estamos. Com esta base social, o autor explora um conceito simples da psicologia e que tanto se tem falado no mundo da informática: as pessoas comportam-se melhor quando estão a ser observadas. 

De um ponto de vista crítico, o livro tem algumas falhas, principalmente porque algumas personagens são demasiado estereotipadas e de imediato sabemos como são e não nos surpreendem. Alguns momentos são forçados ou previsíveis, mas  não foi por isso que li mais devagar. É óbvio que algo está mal neste mundo que o autor cria. Percebe-se que aos poucos este enredo se tornará num thriller em que interesses e ganância se irão sobrepor a tudo o resto, e realmente é isso mesmo que o livro é.  Um thriller que explora a nossa sociedade.

Por outro lado, e apesar de a maioria delas serem óbvias, gostei bastante das personagens, quer das boas, quer das más. O enredo é viciante desde o início, primeiro por criar uma imagem fantástica do futuro da nossa sociedade, e depois, aos poucos, por começar a revelar os perigos do que estamos agora a criar. Poucas invenções mudaram tão rapidamente a nossa vida de forma tão global como o computador e internet. A questão é se temos noção de todas as mudanças e das possibilidades. Sendo eu uma pessoa que trabalha nesta área, este tema torna-se fascinante e alvo de grande estudo.

O trunfo do livro é a crítica que faz e as questões morais que levanta. Se informação é poder, então muitas empresas estão a arrecadar poder com todas as nossas ações. O livro explora como estamos dependentes de certas tecnologias e do que estamos dispostos a sacrificar para termos outras coisas... e, acima de tudo, este livro explora o quanto poderíamos alcançar se trabalhássemos para um bem comum e não por ganância, interesses ou poder.

Enquanto crítico literário vejo que este livro não é fantástico. Tem falhas e não consegue ser genial apesar da sua fantástica base narrativa. No entanto, enquanto leitor, é impossível não gostar desta obra e que recomendo a todos os que se interessem por este tema, que será, cada vez mais, um tema de conversa por todos aqueles que estejam dispostos a questionar tudo o que nos rodeia.

Luís Pinto  

terça-feira, 8 de agosto de 2017

O ASSASSINO DO BOBO


Autor: Robin Hobb

Título original: Fool's Assassin





Sinopse: Tomé Texugo tem levado uma vida pacífica há anos, retirado no campo na companhia da sua amada Moli, numa vasta propriedade que lhe foi agraciada por serviços leais à coroa. Mas por detrás da sua respeitável fachada de homem de meia-idade, esconde-se um passado turbulento e de violência. Na verdade, ele é
FitzCavalaria Visionário, um bastardo real, utilizador de estranhas magias e assassino. Um homem que tudo arriscou pelo seu rei, com grandes perdas pessoais.
Até que, numa noite fatídica, um mensageiro chega com uma mensagem que irá transformar o seu mundo. O passado arranja sempre forma de se intrometer no presente, e os acontecimentos prodigiosos de que foi protagonista na companhia do seu grande amigo, o Bobo, vão voltar a enredá-lo. Se conseguirem, nada na sua vida ficará igual…



Todos nós temos autores que de imediato nos fazem sentir algo diferente. A forma como entramos nos seus mundos, como nos levam a visitar locais imaginários, a sentir algo por certas personagens, a vibrar e sofrer. Entre os autores que me oferecem estas sensações, está Robin Hobb, autora da qual já li tantos livros, e que durante tantas horas me fez viajar nas aventuras de Fitz sem conseguir parar de ler.

Agora Fitz está de volta, a expectativa era enorme, mas não tive qualquer momento de desilusão. Robin Hobb criou um grande livro! De um ponto de vista crítico, este é, talvez, o melhor livrode toda a saga de Fitz, mas já lá vamos. O que temos aqui é um livro extremamente completo e capaz de iniciar uma nova trama com detalhes que certamente farão a diferença nos livros seguintes.

Em primeiro lugar, a autora continua a explorar Fitz, mas não só. Aliás, uma vez mais, a autora consegue desenvolver as suas personagens de forma coerente com o que já conhecemos delas, mas também com uma forte ligação ao que está a acontecer. Motivos, medos, traumas, a autora explora tudo com mestria para que nada pareça fora do lugar.

Pelo meio, o mundo criado por Hobb continua a mostrar que ainda tem muito para ser explorado e raramente senti algo forçado. A isto junta-se um bom enredo, bem pensado, bem estruturado e que não só oferece momentos que não se esquecem, como prepara toda a trilogia nestas páginas. Diálogos inteligentes e uma narrativa bem sustentada nos motivos e objetivos de Fitz, levam-nos a não conseguir parar de ler, principalmente pela intriga e pelas questões morais que levanta.

Em muitos aspetos este é um dos melhores livros de Fitz. Nota-se que a autora continua a evoluir e que criou uma boa base que justifique ao leitor regressar e aos personagens continuarem. Acredito plenamente que está aqui o início de uma fantástica trilogia.

Luís Pinto

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

DINASTIA


Autor: Tom Holland

Título original: Dynasty - The Rise and Fall of the House of Caesar




Sinopse: Primeiro governada por reis, Roma tornar-se-ia uma república. Mas no fim, após conquistar o mundo, a república desmoronou-se. Roma afogou-se em sangue. As guerras civis foram tão terríveis, que o povo romano acolheu de bom grado o governo de um autocrata que lhes poderia dar a paz. «Augusto», o seu novo senhor, intitulava-se O Divino Favorito.
O fantástico esplendor da dinastia fundada por Augusto nunca esmoreceu. Nenhuma outra família se compara em fascínio com a sua galeria de personagens: Tibério, o grande general que acabou os seus dias como um recluso amargurado, célebre pelas suas perversões; Calígula, o mestre da crueldade e humilhação; Agripina, a mãe de Nero, cujas manobras levaram o filho ao poder, e que acabaria por morrer por ordem dele; Nero, que pontapeou a mulher grávida até à morte, que se casou com um eunuco, e que ergueu um palácio de prazer no centro dos escombros de uma Roma destruída pelo fogo.



O Império Romano, um dos mais incríveis que já existiu, é um tema que sempre gostei de ler. Neste livro, Tom Holland explora uma parte da História de Roma, focando-se numa dinastia que tem tanto para contar que só um livro tão grande conseguiria explorar com detalhe.

Holland, um escritor várias vezes premiado, tem aqui um livro muito bom. Sustentado numa rigorosa e claramente prolongada investigação, a narrativa explora de forma inteligente os acontecimentos mais importantes desta dinastia, sempre com foco não só no que se passava em Roma, mas também com noções básicas do que a rodeava para percebermos o próprio avançar do império.

Bastante focado numa dezena de personagens, o autor explora aqueles que tiveram mais influência nesta época de Roma, para o bem e para o mal. Cheio de detalhes e muitas curiosidades, o autor monta bem a sua narrativa para que o leitor não se perca, e a verdade é que aprendi bastante com este livro. 

O que mais apreciei nestas páginas foi a forma como o autor explora as personalidades dos nomes mais famosos desta época. Holland tenta explorar medos, objetivos, traumas, demências, sonhos de cada um dos imperadores e não só. Destaque para a mãe de Nero que tem neste livro muitos dos melhores momentos e que ajudam a que este livro seja realmente bastante bom.

Globalmente foi das melhores leituras que tive sobre o tema. É um livro académico em alguns momentos mas que consegue ser simples na maioria das páginas. Facilita a aprendizagem inicial do leitor, mesmo que este não tenha conhecimentos sobre Roma, o que é bastante bom. Com uma escrita direta e bastante sustentada em factos, Holland tem aqui um livro que agradará a todos os que apreciem o tema. Pode ser uma leitura lenta em alguns momentos, mas foi sempre bastante boa!

Luís Pinto

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

A HISTÓRIA DO MUNDO PARA PESSOAS COM PRESSA


Autor: Emma Marriott

Título original: The History of the World in Bite-Sized Chunks




Sinopse: Um guia conciso mas abrangente que cobre tudo o que é necessário saber sobre os acontecimentos mais importantes da História do mundo, desde as civilizações antigas até ao final da Segunda Guerra Mundial.
Fazendo uma abordagem a todos os factos e detalhes históricos essenciais, este livro proporciona-nos uma extraordinária viagem através dos tempos, desde o império de Alexandre, o Grande, à dinastia Tang, na China, ao Iluminismo, à Guerra Civil americana, e mais além.
A História do Mundo para Gente com Pressa é um guia precioso e indispensável sobre a história da Humanidade e que nos permite descobrir como se construiu o mundo moderno.



Após ter oferecido este livro num passatempo em parceria com a Editorial Presença, decidi lê-lo porque o conceito pareceu-me muito interessante. Ter tempo para ler nunca é fácil e raramente parece ser o suficiente. Com tantos livros que queremos ler, por vezes pode ser bom termos uma leitura que vá diretamente ao que é importante, fazendo um resumo de um tema sobre o qual podemos saber pouco ou que temos curiosidade e desejamos começar por algum lado.

Com isto em mente, a questão que se levanta é se este livro consegue realmente fazer um bom trabalho de reunir a História da humanidade em 200 páginas!

Gostei bastante deste livro. Claro que colocar aqui tudo seria impossível e a autora acaba por se focar apenas em alguns temas, mas seria impossível abranger tudo e parece-me que a escolha passou por mencionar aquilo que teve mais impacto em duas áreas: geografia e invenções. No entanto, e apesar de a autora explorar alguns invenções marcantes, o livro é, essencialmente, um resumo das principais civilizações que já existiram. Onde nasceram, o que inventaram, o que conquistaram, como desapareceram, quem as liderou, etc... Com isto em mente, o livro torna-se num guia cronológico sobre os diferentes povos que foram aparecendo nos últimos 5 mil anos, as batalhas mais importantes, que territórios dominaram e quais as principais causas para a queda das mesmas.

Apesar de não ser um livro que explore muito cada momento e ficar a sensação que adorava que existisse outro livro que abordasse toda a História mas no dobro das páginas, a verdade é que o livro consegue executar bastante bem o seu objetivo. Ao ser bastante abrangente, acabará por ensinar bastante a qualquer leitor que não seja um perito no tema. Bem estruturado, com linguagem acessível e alguns mapas para percebermos as dimensões de alguns impérios, este livro é uma excelente compra para todos aqueles que olhem para a capa e sintam curiosidade sobre o tema. Foi uma leitura bastante interessante e que certamente voltarei a ler um dia. Recomendado!

Luís Pinto

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

O HOMEM INVISÍVEL


Autor: H. G. Wells

Título original: The invisible man





Sinopse: Griffin — um homem com o rosto coberto por ligaduras, olhos ocultos por detrás de uns óculos escuros e mãos cobertas — é o novo hóspede em The Coach and Horses. Apesar de todos assumirem que o seu estado se deve a um acidente, a verdade é bastante mais estranha.
Griffin descobriu um processo de se tornar invisível, e está agora em busca do antídoto. Quando é expulso da aldeia e se vê impelido para o assassínio, Griffin procura a ajuda do seu amigo Kemp. Mas o destino que o aguarda afecta-lhe os pensamentos, e, quando Kemp se recusa a ajudá-lo, Griffin resolve planear a sua vingança.




Este é um dos grandes clássicos de H. G. Wells, um autor que revolucionou a literatura de ficção científica. Apesar de não ser um dos seus livros mais famosos, a verdade é que Wells tem aqui mais um fantástico livro que explora conceitos que até então não tinham sido totalmente explorados neste género. Apesar de numa fase inicial este parecer um livro de ficção-científica, rapidamente percebemos que é mais do que isso.

Numa escrita bastante simples e direta, mas sempre com qualidade, o autor começa o seu enredo de forma suave, sem grandes acelerações nos acontecimentos, mas aos poucos fiquei viciado devido à originalidade da base da história e também porque o personagem principal de imediato chama a atenção devido a algumas características que o autor começa a explorar de imediato e que o tornam único.

O que mais me espantou neste livro foi a forma como o autor conseguiu explorar certos conceitos sem que a história pareça arrastada ou forçada. A originalidade de algumas situações tornam este livro bastante original e inteligente enquanto levanta várias questões morais. Aos poucos o livro torna-se bastante psicológico ao começarmos a ver as fragilidades mas também as oportunidades que a condição de Griffin lhe proporcionam. A questão é o que nós faríamos nesta situação. A questão é o que certas pessoas fariam se conseguissem iludir aquele que é o sentido no qual mais confiamos.

Um livro único, intemporal, e que deve ser lido, questionado e analisado. Não é um livro que agrade a todos os leitores, mas a sua qualidade é inegável.

Luís Pinto

segunda-feira, 31 de julho de 2017

A SOMBRA DO VENTO


Autor: Carlos Ruiz Zafón





Sinopse: Edição Especial dos três primeiros livros da série de maior sucesso de Carlos Ruiz Zafón
O Cemitério dos Livros Esquecidos. A Sombra do Vento, O Jogo do Anjo e O Prisioneiro do Céu, com uma nova imagem e um formato inédito, que combina a capa dura, com uma sobrecapa em acetato transparente, a cores. Um autor viciante, que não se consegue parar de ler.





De todos os livros de Zafón, este era o que me faltava comentar no blogue. É também o seu melhor livro. Mas é mais do que isso. É uma obra prima.

Tal como a maioria  das obras primas, pode não agradar a todos, pode não prender de imediato, pode não ser viciante, mas a qualidade de cada linha, as emoções de cada página, tornam-no único.

Zafón tem um talento raro para criar ambientes. A forma como explora tons, cores, sons e cenários para criar o ambiente necessário é algo que poucos autores conseguem atingir. A cada momento sentimos aquela atmosfera, aquele ar sombrio, aquela sensação de que viajámos para outro lugar onde existe uma neblina. É isso que Zafón faz ao nível dos grandes autores que já li: leva-nos facilmente pelo seu mundo, tornando-o nosso, quase palpável. 

Ao fantástico ambiente, Zafón junta personagens única, coerentes, capazes de nos fazer sentir algo. Os seus passados, os seus medos, objetivos, traumas e sonhos... Zafón explora tudo com mestria enquanto nos leva a questionar o que nos define como pessoas, o que queremos passar às gerações futuras, o que desejamos alcançar enquanto estamos vivos. 

Com um enredo inteligente e brilhantemente montado, a viagem é singular, cheia de surpresas e de momentos que não se esquecem, quer seja pelo arriscar do autor, quer pela tensão que nos cria. É como se nós próprios estivéssemos naquela neblina, naquelas ruas de Barcelona.  

Não existe muito mais que possa dizer sem revelar momentos que devem ser absorvidos durante a leitura e não agora. Este não é um livro que agradará a todos, principalmente porque demora a arrancar, demora a tornar-se na obra prima que é. Mas se avançarem na leitura, então o que vos espera é uma viagem de grande qualidade e que, mesmo podendo não ser um dos vossos livros favoritos, dificilmente não o irão admirar como a obra prima que é.

Luís Pinto


sexta-feira, 28 de julho de 2017

A MULHER DO CAMAROTE 10


Autor: Ruth Ware

Título original: The women in cabin 10




Sinopse: Emocionante e compulsivo, este romance evoca o ambiente clássico dos policiais de Agatha Christie: um ritmo que aumenta gradualmente de tensão, a sensação de perigo iminente e um conjunto de suspeitos reunidos num único lugar.
A jornalista Lo Blacklock recebe um convite irrecusável: acompanhar a primeria viagem do cruzeiro de luxo Aurora Borealis. O serviço é exclusivo e a bordo estão vários empresários e pessoas influentes da sociedade. No entanto, a viagem ganha outros contornos para a jornalista. Certa noite, testemunha aquilo que acredita ser um crime no camarote ao lado do seu.
Desesperada, denuncia o ocorrido ao responsável pela embarcação. Ninguém acredita na sua versão, pois todos os passageiros continuam no navio. Blacklock decide investigar o crime por conta própria. Colocando a carreira e a própria vida em risco, ela não vai descansar enquanto não encontrar resposta para o mistério do camarote 10.



A ideia base deste enredo é bastante interessante mas nada fácil de se concretizar durante todo um livro sem parecer demasiado forçada. A questão é se a autora o consegue com mestria ou não. Ruth Ware tem um estilo diferente do normal, conseguindo criar suspense a cada página, sempre com uma sensação de que algo corre mal, algo está a falhar. Este estilo, muito usado há uns anos por uma senhora chamada Agatha com o seu personagem Poirot, é aqui mais soft, mas muito bem utilizado.

Claro que para manter tal trama durante tanto tempo, alguns momentos são forçados para que certas explicações não sejam dadas ou para que se consiga manter um pouco mais o mistério ou a desconfiança de algumas personagens, levando-nos a olhar para todas com várias questões na nossa mente.

O grande trunfo da autora está na inteligência com que monta a história, com certos acontecimentos nos momentos certos, levando o enredo numa rápida espiral até ao fim, sempre com o autor a desconfiar de tudo e de todos. Destaque para duas personagens, que não irem identificar, e que ajudam bastante ao suspense com uma história base bem conseguida e diálogos inteligentes que revelam objetivos que me surpreenderam.

É verdade que na segunda parte do livro a autora comete um ou outro erro que podem ajudar o leitor a perceber como será o final, mas nada que retire o suspense que o livro cria de forma constante. Não é uma obra prima, e provavelmente não agradará a todos os leitores, mas se gostam de thrillers claustrofóbicos e que nos levam a vários cenários coerentes até ao grande final, então este é um bom livro para este verão, e que me faz querer mais livros da autora. Uma agradável surpresa!

Luís Pinto

 

quinta-feira, 27 de julho de 2017

ESTOU A VER-TE


Autor: Clare Mackintosh

Título original: I see you




Sinopse: Todas as manhãs, Zoe Walker faz o mesmo caminho para a estação de metro, espera no mesmo lugar da plataforma e escolhe o seu assento preferido na carruagem, sem nunca suspeitar que alguém a observa.
Durante uma dessas viagens, certo fim de tarde, enquanto lê o jornal local, Zoe vê a sua cara num dos anúncios: uma foto de má qualidade, um número de telefone e a morada de um website: FindTheOne.com (Encontra-a.com).
Nos dias seguintes, as fotografias de outras mulheres começam a aparecer no mesmo anúncio, e Zoe percebe que foram vítimas de crimes extremamente violentos, incluindo homicídio.
Com a ajuda de uma polícia determinada, Zoe procura saber o que está por trás daquele anúncio perverso, uma descoberta que vai transformar a sua paranóia em pânico total. Alguém anda a seguir todos os seus passos. E Zoe tem a certeza de que alguém próximo de si a escolheu como próximo alvo.



Este é o primeiro livro que li desta autora que conseguiu bastante sucesso no seu primeiro livro e que aqui tenta repetir o feito. Com uma escrita descontraída e por vezes quase estranha, por ser tão simples, a autora tenta agarrar-nos de imediato. A base do enredo é inteligente, apesar de algo "insustentada" se o final não fosse o que a autora fez. O final, previsível mas coerente, oferece qualidade ao livro porque de outra forma todo o enredo poderia cair.

Em termos de personagens o livro está dentro do que se pede de um thriller claustrofóbico. Em alguns momentos nota-se que a autora poderia ter arriscado mais, criando personagens mais originais e sem alguns clichés, mas o ritmo do livro acaba por suavizar alguns desses problemas, acabando por não nos dar muito tempo para percebermos que alguns momentos são um pouco forçados.

Claramente focado para um público feminino, não só pelos temas base, mas também pelas personagens em si, este é um livro para quem procura um thriller rápido e intenso. Em nenhum momento é fantástico, mas consegue ser coerente e prende qualquer leitor até ao fim. No fim a sensação que fica é que li um livro viciante e intenso, mas que poderia ter sido algo mais, porque tinha uma base boa o suficiente para tal. No entanto, se gostam deste género e se a sinopse vos agarrou, então de certeza que será uma viciante leitura de verão.  

Luís Pinto

terça-feira, 25 de julho de 2017

LEONARDO & MIGUEL ÂNGELO


Autor: Stephanie Storey

Título original: Oil and Marble




Sinopse: No início do século XVI, Miguel Ângelo Buonarroti e Leonardo da Vinci viviam e trabalhavam em Florença. Quando se conheceram, Leonardo era um homem bem-parecido de 50 anos que se encontrava no auge da fama, enquanto Miguel Ângelo era um desmazelado escultor de 26 anos, desesperado por deixar o seu nome na História.
A rivalidade entre ambos tem início quando, em 1501, Miguel Ângelo consegue que lhe seja atribuída a si, e não ao grande mestre Leonardo, a encomenda para esculpir aquela que viria a ser a escultura mais famosa de todos os tempos: David.
Após perder tão ansiada obra, a vida de Leonardo começa a desmoronar-se. É então que conhece uma mulher por quem fica encantado e cujo retrato aceita pintar. O seu nome é Lisa, e tornar-se-á a sua musa.
Leonardo despreza a falta de sofisticação de Miguel Ângelo mas, ao mesmo tempo, admira-o. Por seu lado, este rejeita a genialidade de Leonardo tanto quanto a venera. Ambos tentam superar-se criando extraordinárias obras-primas. Ambos desejam a glória, mas qual será considerado o maior artista do seu tempo?



Há uns anos li um livro, escrito por um historiador inglês, sobre a grande rivalidade entre estes dois génios. Agora, ao olhar para um romance que utiliza a mesma base, tive curiosidade de ver como alguém poderia criar um enredo interessante sem ficar abaixo na genialidade exigira quando se utilizam estes dois homens como personagens de uma história.

Este é, na minha opinião, o grande desafio da autora: o de recriar estes dois homens sem ficar abaixo do que eles eram social, mental e intelectualmente. Globalmente a autora consegue-o apesar de com algumas falhas. No entanto, alguns diálogos estão bastante bem conseguidos e as suas decisões são coerentes com as personalidades e passados que a autora vai expondo.

O enredo desenvolve-se a um bom ritmo, sempre focado no que aproxima e afasta estas personagens, na forma como viam o mundo e a arte, e também como queriam ser recordados e o legado que queriam deixar. Pelo meio uma suave intriga política e religiosa, mas que nunca se torna no centro das atenções.

Globalmente, gostei das personagens, diálogos e do caminho que a história teve. Surpreendeu-me a forma como a autora conseguiu desenvolver um enredo que numa fase inicial não parecia ter muito para desenvolver de forma coerente. Não é um livro fantástico nem o tenta ser. É sim uma leitura viciante e interessante, focada para quem gostar do tema, principalmente porque a autora explora bastante bem as obras destes dois personagens, ajudando o leitor a sentir-se em casa mesmo se for um tema do qual pouco conheça. Se ficaram interessados depois de ler a sinopse, então têm aqui uma leitura interessante para este verão.

Luís Pinto

segunda-feira, 24 de julho de 2017

OS DESPOJADOS


Autor: Ursula K. Le Guin

Título original: The Dispossessed




Sinopse: Em Anarres, um planeta conhecido pelas extensas áreas desérticas e habitado por uma comunidade proletária, vive Shevek, um físico brilhante que acaba de fazer uma descoberta científica que vai revolucionar a civilização interplanetária. No entanto, Shevek cedo se apercebe do ódio e desconfiança que isolam o seu povo do resto do universo, em especial, do planeta gémeo, Urras.
Em Urras, um planeta de recursos abundantes, impera um sistema capitalista que atrai Shevek, decidido a encontrar mais liberdade e tolerância. Mas a sua inocência começa a desaparecer perante a realidade amarga de estar a ser usado como peão num jogo político letal.
Que esperança e idealismo restam a Shevek, aprisionado entre dois mundos incapazes de ultrapassar as diferenças? E ao desafiar ambos os regimes políticos, conseguirá ele abrir caminho para os ventos da mudança?



Este é um dos mais famosos livros de Ursula K. Le Guin e um dos que mais prémios ganhou. Assim que acabamos o livro é notório que estamos perante uma obra de qualidade superior. Le Guin cria um mundo fantástico, capaz de nos fascinar e de ser, ao mesmo tempo, bastante real e paralelo ao nosso. Com a já sua habitual escrita rica e direta, a autora explora temas fraturantes da sociedade que ela própria cria, mas que são a imagem do mundo real. 

Com isto, a crítica social é bastante forte neste livro, levando-nos a questionar setores da sociedade e as suas bases. Le Guin começa de forma lenta, aprofundando o seu universo, para depois adicionar as personagens que farão a diferença. Duas personagens em particular serão os catalisadores em alguns momentos da história, mas sem nunca parecer forçado ou pouco coerente.

Apesar da história ser bastante interessante e de querer sempre ler mais para perceber onde a autora me estava a levar e como iria finalizar o enredo, a verdade é que o trunfo do livro está na forma como consegue expor a sociedade criada. As questões que levanta são os alicerces que tornam este livro na obra tantas vezes premiadas e que o torna numa obra que o afasta da base da literatura fantástica para ser um leitura que se adapta a qualquer género. Com isto quero dizer que mesmo um leitor que não aprecie fantasia ou ficção científica, tem aqui um enredo que o poderá prender do início ao fim.

O resultado final é um livro capaz de ser crítico e duro em alguns momentos e de deslumbrar noutros. Le Guin leva-nos a questionar o que nos torna diferentes ou iguais e quais os caminhos religiosos e políticos que queremos ou devemos seguir. A humanidade está em constante mudança, mas raramente é uma mudança fácil se for demasiado radical. Este é um livro sobre isso. Não é um livro que todos os leitores possam gostar, mas é totalmente aconselhado a quer ler a sinopse e ficar curioso.

Luís Pinto

sexta-feira, 14 de julho de 2017

O MILÉSIMO ANDAR


Autor: Katharine McGee

Título original: The Thousandth Floor





Sinopse: Uma torre de mil andares. A visão brilhante de um futuro onde tudo é possível se assim o desejarmos. Nova Iorque, cidade de sonhos e inovação daqui a cem anos. Todos querem qualquer coisa… e todos têm algo a perder. O exterior impecável de Leda Cole esconde um vício secreto por uma droga que nunca devia ter experimentado e por um rapaz em quem nunca devia ter tocado. A vida bela e descuidada de Eris Dodd-Radson desmorona-se quando uma traição lhe destrói a família. O trabalho de Rylin Myers num dos andares mais altos mergulha-a num mundo e num romance inimaginável… mas essa vida nova custar-lhe-á a que tinha antes? E a viver acima de todos, no milésimo andar, está Avery Fuller, uma rapariga que parece ter tudo, mas que vive atormentada pela única coisa que nunca poderá ter.



A base deste livro é bastante interessante e foi o que me fez lê-lo. O que a autora criar neste livro é um mundo onde quase tudo, em termos materiais, está ao alcance das pessoas. Numa sociedade que continua a apresentar enormes diferenças entre as várias classes financeiras, a autor explora as diferenças, o que cada pessoa pode alcançar com dinheiro ou posição, mas também o que não pode ser adquirido por compra.

Apesar de o enredo romantizado ser algo previsível, a base da sociedade está bem conseguida, chegado ao ponto de sentir que ficou muito por explorar, muito por explicar, porque a ideia que tudo sustenta, tem muito mais para dar. É verdade que existem mais livros, e tal é fundamental para a autora continuar a explorar conceitos que me parecem interessantes e que encaixam bem nas personagens, mas gostava de ter lido mais neste livro. 

Em termos de personagens a autora cria um grupo interessante, por vezes estereotipado ou previsível, mas capaz de nos agarrar ao enredo, principalmente pela forma inteligente como a autora os explora aos poucos. Nota-se, mais ou menos a meio do livro, que a narrativa perde um pouco o caminho, explorando conceitos e personagens que talvez apenas tenham importância nos livros seguintes, mas talvez seja o esforço da autora em aumentar o seu universo para os próximos livros.

De uma forma geral, a autora tem aqui um livro original na sua base e bastante focado na crítica social e no que a nossa sociedade se está a tornar, ao dar importância a muitas coisas que não são realmente importantes. Gostei da forma como a autora explorou a sua ideia e como a prepara para os próximos livros, sem nunca deixar de tentar chocar nos momentos certos. É, claramente, um livro que será mais apreciado pelo sexo feminino e que ainda tem muito para dar, principalmente graças à crítica social aqui presente, mesmo que indiretamente.Não é fantástico, nem tenta ser. Tenta passar uma mensagem e consegue.

Luís Pinto

quinta-feira, 13 de julho de 2017

PASSATEMPO - A História do mundo para pessoas com pressa - Vencedor!



PASSATEMPO

A História do mundo 
para pessoas com pressa

Vencedor!


Chegou ao fim mais um passatempo em parceria com a Editorial Presença, à qual agradeço mais esta oportunidade.

Desta vez oferecemos um exemplar do livro "a História do mundo para pessoas com pressa", e terei a análise ao livro ainda este mês.

Obrigado a todos os que participaram e que tornaram esta passatempo um sucesso. Aos que não venceram, desejo-vos melhor sorte para a próxima.



Sinopse: Um guia conciso mas abrangente que cobre tudo o que é necessário saber sobre os acontecimentos mais importantes da História do mundo, desde as civilizações antigas até ao final da Segunda Guerra Mundial.
Fazendo uma abordagem a todos os factos e detalhes históricos essenciais, este livro proporciona-nos uma extraordinária viagem através dos tempos, desde o império de Alexandre, o Grande, à dinastia Tang, na China, ao Iluminismo, à Guerra Civil americana, e mais além. 
A História do Mundo para Gente com Pressa é um guia precioso e indispensável sobre a história da Humanidade e que nos permite descobrir como se construiu o mundo moderno.
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E o vencedor é: 

Ana Maria Fernandes Marques
Parabéns à vencedora!
Novos passatempos em breve! 


quarta-feira, 12 de julho de 2017

O MUNDO CONFUSO DE JONATHAN


Autor: Meg Rosoff

Título original: Jonathan Unleashed





Sinopse: Por mais fácil que a vida fosse quando vivia na casa dos pais, Jonathan Trefoil sabe que tem de crescer. Mas é mesmo difícil:
- O trabalho que arranjou é aborrecido e repetitivo;
- A namorada é autoritária e quer casar-se com alguém como ele, só
que mais rico e com um sentido de humor diferente;
- Pode ser despejado do apartamento que subaluga com apenas
24 horas de pré-aviso.
A vida dele fica ainda mais confusa quando o irmão lhe pede que cuide dos seus cães - Dante e Sissy. Obviamente, Jonathan não tem a menor ideia de como o fazer.
Aos poucos, ele vai entregando as rédeas da sua vida aos novos companheiros. Em rigor, eles parecem deter a chave para os segredos da vida, do universo e de tudo o que existe. E Jonathan só sabe que nada sabe. Ao acompanharem Jonathan no trabalho, ao levarem-no a parques e esplanadas, ao conduzirem-no à clínica veterinária e à Dra. Clare, Dante e Sissy só estão a ajudá-lo a chegar finalmente à idade adulta. Resta saber se o vão conseguir.



Por vezes apetece ler algo mais leve. No entanto, um livro que no início pode parecer leve, alegre, cómico, por vezes torna-se emotivo, e este livro tem um bocadinho de tudo. 

O que mais apreciei neste livro foi a sua inteligente capacidade de ser discreto. A história é suave, divertida e capaz de passar mensagens de forma discreta, quase como se não estivessem lá. Este é um livro sobre relações, sobre as amizades que criamos naquela fase da nossa vida em que deixamos de ser crianças e passamos a adultos, seja qual for a idade em que nos acontece tal transformação. É um livro sobre o choque da responsabilidade, sobre o que esperamos da vida e o que esperam de nós. É um livro sobre o que sentimos, sobre o que precisamos de ter para sobreviver, e o que precisamos de ter para realmente viver.

É, inevitavelmente, a história sobre um rapaz e um cão (neste caso, cães), uma amizade que nada exige. Com uma escrita simples, divertida e cheia de significado, a autora leva-nos por uma história que por vezes surpreende, por vezes parece forçada, mas sempre com algum significado, ao ponto de se perceber que o objetivo da autora não foi criar uma história fantástica em termos de acontecimentos, mas sim uma narrativa que nos fizesse pensar e sentir.

Pelo meio, personagens com as quais facilmente se cria alguma ligação. Foi-me muito fácil criar algumas ligações com este rapaz ou com situações da história, talvez por também ter cães e saber como mudam a nossa vida, as nossas rotinas e até a forma como vemos algumas coisas e lhes damos valor.

Este é um livro diferente, e bastante inteligente. É uma comédia romântica com muito menos clichés do que o normal e com mensagens profundas para pensarmos se assim o desejarmos. É um livro para amantes de animais, mas não só. É um livro para todos os que gostarem deste género ou que também já tenham passado por aquela fase na vida em que estamos perdidos, talvez sem sequer o termos sentido. Se leram a sinopse e ficaram curiosos, então não hesitem.

Luís Pinto