sexta-feira, 14 de julho de 2017

O MILÉSIMO ANDAR


Autor: Katharine McGee

Título original: The Thousandth Floor





Sinopse: Uma torre de mil andares. A visão brilhante de um futuro onde tudo é possível se assim o desejarmos. Nova Iorque, cidade de sonhos e inovação daqui a cem anos. Todos querem qualquer coisa… e todos têm algo a perder. O exterior impecável de Leda Cole esconde um vício secreto por uma droga que nunca devia ter experimentado e por um rapaz em quem nunca devia ter tocado. A vida bela e descuidada de Eris Dodd-Radson desmorona-se quando uma traição lhe destrói a família. O trabalho de Rylin Myers num dos andares mais altos mergulha-a num mundo e num romance inimaginável… mas essa vida nova custar-lhe-á a que tinha antes? E a viver acima de todos, no milésimo andar, está Avery Fuller, uma rapariga que parece ter tudo, mas que vive atormentada pela única coisa que nunca poderá ter.



A base deste livro é bastante interessante e foi o que me fez lê-lo. O que a autora criar neste livro é um mundo onde quase tudo, em termos materiais, está ao alcance das pessoas. Numa sociedade que continua a apresentar enormes diferenças entre as várias classes financeiras, a autor explora as diferenças, o que cada pessoa pode alcançar com dinheiro ou posição, mas também o que não pode ser adquirido por compra.

Apesar de o enredo romantizado ser algo previsível, a base da sociedade está bem conseguida, chegado ao ponto de sentir que ficou muito por explorar, muito por explicar, porque a ideia que tudo sustenta, tem muito mais para dar. É verdade que existem mais livros, e tal é fundamental para a autora continuar a explorar conceitos que me parecem interessantes e que encaixam bem nas personagens, mas gostava de ter lido mais neste livro. 

Em termos de personagens a autora cria um grupo interessante, por vezes estereotipado ou previsível, mas capaz de nos agarrar ao enredo, principalmente pela forma inteligente como a autora os explora aos poucos. Nota-se, mais ou menos a meio do livro, que a narrativa perde um pouco o caminho, explorando conceitos e personagens que talvez apenas tenham importância nos livros seguintes, mas talvez seja o esforço da autora em aumentar o seu universo para os próximos livros.

De uma forma geral, a autora tem aqui um livro original na sua base e bastante focado na crítica social e no que a nossa sociedade se está a tornar, ao dar importância a muitas coisas que não são realmente importantes. Gostei da forma como a autora explorou a sua ideia e como a prepara para os próximos livros, sem nunca deixar de tentar chocar nos momentos certos. É, claramente, um livro que será mais apreciado pelo sexo feminino e que ainda tem muito para dar, principalmente graças à crítica social aqui presente, mesmo que indiretamente.Não é fantástico, nem tenta ser. Tenta passar uma mensagem e consegue.

Luís Pinto

quinta-feira, 13 de julho de 2017

PASSATEMPO - A História do mundo para pessoas com pressa - Vencedor!



PASSATEMPO

A História do mundo 
para pessoas com pressa

Vencedor!


Chegou ao fim mais um passatempo em parceria com a Editorial Presença, à qual agradeço mais esta oportunidade.

Desta vez oferecemos um exemplar do livro "a História do mundo para pessoas com pressa", e terei a análise ao livro ainda este mês.

Obrigado a todos os que participaram e que tornaram esta passatempo um sucesso. Aos que não venceram, desejo-vos melhor sorte para a próxima.



Sinopse: Um guia conciso mas abrangente que cobre tudo o que é necessário saber sobre os acontecimentos mais importantes da História do mundo, desde as civilizações antigas até ao final da Segunda Guerra Mundial.
Fazendo uma abordagem a todos os factos e detalhes históricos essenciais, este livro proporciona-nos uma extraordinária viagem através dos tempos, desde o império de Alexandre, o Grande, à dinastia Tang, na China, ao Iluminismo, à Guerra Civil americana, e mais além. 
A História do Mundo para Gente com Pressa é um guia precioso e indispensável sobre a história da Humanidade e que nos permite descobrir como se construiu o mundo moderno.
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E o vencedor é: 

Ana Maria Fernandes Marques
Parabéns à vencedora!
Novos passatempos em breve! 


quarta-feira, 12 de julho de 2017

O MUNDO CONFUSO DE JONATHAN


Autor: Meg Rosoff

Título original: Jonathan Unleashed





Sinopse: Por mais fácil que a vida fosse quando vivia na casa dos pais, Jonathan Trefoil sabe que tem de crescer. Mas é mesmo difícil:
- O trabalho que arranjou é aborrecido e repetitivo;
- A namorada é autoritária e quer casar-se com alguém como ele, só
que mais rico e com um sentido de humor diferente;
- Pode ser despejado do apartamento que subaluga com apenas
24 horas de pré-aviso.
A vida dele fica ainda mais confusa quando o irmão lhe pede que cuide dos seus cães - Dante e Sissy. Obviamente, Jonathan não tem a menor ideia de como o fazer.
Aos poucos, ele vai entregando as rédeas da sua vida aos novos companheiros. Em rigor, eles parecem deter a chave para os segredos da vida, do universo e de tudo o que existe. E Jonathan só sabe que nada sabe. Ao acompanharem Jonathan no trabalho, ao levarem-no a parques e esplanadas, ao conduzirem-no à clínica veterinária e à Dra. Clare, Dante e Sissy só estão a ajudá-lo a chegar finalmente à idade adulta. Resta saber se o vão conseguir.



Por vezes apetece ler algo mais leve. No entanto, um livro que no início pode parecer leve, alegre, cómico, por vezes torna-se emotivo, e este livro tem um bocadinho de tudo. 

O que mais apreciei neste livro foi a sua inteligente capacidade de ser discreto. A história é suave, divertida e capaz de passar mensagens de forma discreta, quase como se não estivessem lá. Este é um livro sobre relações, sobre as amizades que criamos naquela fase da nossa vida em que deixamos de ser crianças e passamos a adultos, seja qual for a idade em que nos acontece tal transformação. É um livro sobre o choque da responsabilidade, sobre o que esperamos da vida e o que esperam de nós. É um livro sobre o que sentimos, sobre o que precisamos de ter para sobreviver, e o que precisamos de ter para realmente viver.

É, inevitavelmente, a história sobre um rapaz e um cão (neste caso, cães), uma amizade que nada exige. Com uma escrita simples, divertida e cheia de significado, a autora leva-nos por uma história que por vezes surpreende, por vezes parece forçada, mas sempre com algum significado, ao ponto de se perceber que o objetivo da autora não foi criar uma história fantástica em termos de acontecimentos, mas sim uma narrativa que nos fizesse pensar e sentir.

Pelo meio, personagens com as quais facilmente se cria alguma ligação. Foi-me muito fácil criar algumas ligações com este rapaz ou com situações da história, talvez por também ter cães e saber como mudam a nossa vida, as nossas rotinas e até a forma como vemos algumas coisas e lhes damos valor.

Este é um livro diferente, e bastante inteligente. É uma comédia romântica com muito menos clichés do que o normal e com mensagens profundas para pensarmos se assim o desejarmos. É um livro para amantes de animais, mas não só. É um livro para todos os que gostarem deste género ou que também já tenham passado por aquela fase na vida em que estamos perdidos, talvez sem sequer o termos sentido. Se leram a sinopse e ficaram curiosos, então não hesitem.

Luís Pinto



terça-feira, 11 de julho de 2017

A MULHER DESAPARECIDA


Autor: Sara Blaedel

Título original: The lost women





Sinopse: Num bairro familiar e acolhedor nos arredores de Londres, uma mulher foi alvo de um violento assassínio. Um tiro certeiro de uma caçadeira atravessou a janela da cozinha, onde ela se encontrava com o marido e a filha. A morte foi imediata.
Ao iniciar a investigação, a polícia local descobre que a mulher, de nome Sophie Parker, se tratava na verdade de uma cidadã dinamarquesa que se encontrava desaparecida há 18 anos. Louise Rick, chefe do Departamento de Pessoas Desaparecidas, fica responsável pelo caso. É então que novas e surpreendentes revelações desvendam que fora Eik, seu colega e amante, quem declarara o desaparecimento de Sophie.
Assim que é informado da morte de Sophie, Eik desaparece misteriosamente e, passadas 24 horas, é preso em Inglaterra e acusado de ser o responsável pelo crime.



Este é o segundo livro que leio de Sara Blaedel e em vários aspetos consegue ser superior ao anterior. Sinceramente, o que mais gostei neste livro foi a sua base inicial. Apreciei bastante o mistério inicial, com uma história original e que me prendeu, principalmente porque se percebe que a autora nos está a tentar enganar.

É verdade que o livro nunca consegue ser fantástico, mas já lá vamos. O livro começa com um bom ritmo, tal como é pedido neste género que empurra o leitor de imediato para a ação, a autora vai explorando as personagens aos poucos enquanto acelera na narrativa para que o leitor não consiga parar de ler e comece a fazer a sua própria investigação.

Um dos trunfos deste livro está no facto de se perceber que algo está errado. A autora desde cedo oferece os detalhes necessários para que seja possível perceber que o enredo nos está a enganar no caminho que está a percorrer. No entanto, devido ao seu ritmo elevado, por vezes a autora deixa escapar um ou outro detalhe que fazem a diferença e que acredito que a autora não queria dar importância de imediato para aumentar o suspense e tornar a história mais coerente.

Tentando sempre sustentar a sensação de suspense, a autora por vezes força alguns acontecimentos, apesar de bem sustentados pelo que conhecemos das personagens, mas que podem não encaixar totalmente nos acontecimentos em si. Todavia, devido ao ritmo, nunca senti que o livro me desse tempo para questionar algumas coisas, até porque a partir de meio o livro foca a nossa atenção em algo que não irei revelar, mas que é feito de forma bastante indireta e inteligente.

Com um conjunto interessante de personagens e uma história original, a autora tem aqui o seu livro que gostei mais, muito graças ao final, bem pensado, bem executado, e que nos faz pensar sobre o livro durante algum tempo. Não é uma obra prima nem revoluciona, mas irá agradar aos fãs do género com um final inteligente e que me deixa com vontade de ler mais livros da autora.

Luís Pinto

quinta-feira, 6 de julho de 2017

O PORTO DAS ALMAS


Autor: Lars Kepler







Sinopse: Jasmin é uma mulher soldado do exército sueco colocada no Kosovo que vive para o filho, Dante, cujo pai é um camarada de armas, um homem instável que tenta afogar os horrores da guerra em álcool e drogas. No Kosovo, Jasmin fica gravemente ferida e, durante a hospitalização, enquanto se encontra entre a vida e a morte, a sua alma parte para uma misteriosa e sobrelotada cidade portuária, um porto de almas, de onde os que morrem jamais regressarão. Mas Jasmin é forte e consegue escapar.
Dois anos após a sua primeira experiência na cidade dos mortos, um acidente rodoviário obriga Jasmin, desta feita acompanhada pelo filho, a regressar: todavia, só ela é que consegue escapar ao porto das almas. O caso de Dante, que está à espera de uma operação, é muito mais grave, e Jasmin não pode abandoná-lo à mercê da cidade misteriosa: a sua única opção é voltar, uma vez mais, e lutar por quem ama, num jogo terrível de vida e morte no qual é provável que saia derrotada.


Lars Kepler, o famoso autor de thrillers policiais (na realidade Lars Kepler não é apenas um escritor, mas sim um casal) está de volta, mas desta vez fora do seu habitual registo. Deixando para trás as personagens já famosas dos fãs do "autor", Kepler leva-nos a viajar num enredo sobrenatural, onde filosofia, espiritualidade e metafísica estão de mãos dadas.

Sendo um livro sobrenatural sobre um porto de almas, o leitor terá de estar preparado para esta realidade e começar o livro de mente aberta. Quem procure aqui um livro ao estilo que está habituado, terá aqui um livro que poderá não gostar, principalmente se os conceitos base não forem do seu agrado.

Tirando este facto, a verdade é que Lars Kepler tem aqui um livro interessante e que, mesmo podendo não estar ao nível do suspense que nos habituou, consegue ser brutalmente viciante e crítico sobre muito da nossa sociedade, mesmo tendo em conta que esta crítica é bastante indireta. Com uma crítica bastante presente sobre a forma como vemos o mundo e também sobre o mundo que envolve a guerra sempre presente na nossa História, o autor explora o que um conflito armado faz aos soldados, as marcas que deixa. Pelo meio explora a crença ou a descrença dos mesmos, tentando tornar este livro o mais coerente possível. Todavia, este livro, baseado em mortes e guerras, acaba por ser um livro sobre amor e quais os sacrifícios que podermos enfrentar para salvar quem amamos.

No global, este é um livro muito mais emocional do que esperava, porque a relação mãe e filho está bem explorada mesmo que de forma indireta em alguns momentos. O resultado é um livro que apesar de diferente, foi bastante viciante. Certamente não terá o impacto que outros livros do autor tiveram, mas se gostarem do tema sobrenatural, dificilmente conseguirão parar de ler. Venham mais livros deste autor!

Luís Pinto