sábado, 29 de abril de 2017

Passatempo: 1924 - O ano que criou Hitler



PASSATEMPO

1924 - O ano que criou Hitler


O Ler y Criticar tem o prazer de, uma vez mais, aliar-se à Editorial Presença para vos proporcionar um passatempo. Desta vez iremos oferecer um exemplar do livro "1924 - O ano que criou Hitler".

Para se habilitarem a ganhar, basta preencher os vossos dados no formulário e responderem à pergunta.

É apenas permitida uma participação por pessoa.

O passatempo termina dia 7 de maio.

Boa sorte a todos!



Sinopse: O ano de 1924 marcou a vida de Adolf Hitler e o destino da Humanidade. Detido na sequência do putsch em Munique, um golpe falhado, e rodeado pelos seus coconspiradores, Hitler passa na prisão por um período intenso de leitura e escrita enquanto aguarda um julgamento por traição.
Nesse ano sedimenta as bases do que viria a ser a ideologia do Terceiro Reich, arquiteta a então aparentemente impossível subida ao poder e escreve Mein Kampf, o seu manifesto infame. Tudo o que a História presenciou depois - a violência, a ditadura, a guerra mais mortífera de sempre - encontrava-se cristalizado nesse ano paradigmático.
Até agora, tal período ficou por analisar com a devida profundidade. O jornalista Peter Ross Range fá-lo magistralmente, descrevendo os episódios do ano mais importante para perceber a mente de Hitler numa obra pioneira e de leitura empolgante: 1924 - O Ano que criou Hitler.



quinta-feira, 27 de abril de 2017

A SERPENTE DO ESSEX


Autor: Sarah Perry

Título original: The Essex serpent





Sinopse: Londres, 1893. Quando o marido de Cora Seaborne morre, a viúva inicia uma nova vida marcada ao mesmo tempo por alívio e tristeza.
Não teve um casamento feliz e ela própria nunca se adequou ao papel de mulher da sociedade. Acompanhada pelo filho, Francis - um rapaz curioso e obsessivo -, troca a cidade pelo campo de Essex, onde espera que o ar fresco e os grandes espaços lhe proporcionem o refúgio de que necessita.
Quando se instalam em Colchester, chegam-lhe aos ouvidos rumores de que a Serpente do Essex, conhecida por em tempos ter percorrido os pântanos na sua avidez de colher vidas humanas, regressou à aldeia de Aldwinter. Cora, naturalista amadora sem interesse por superstições ou questões religiosas, fica empolgada com a ideia de que aquilo que as pessoas da região tomam por uma criatura sobrenatural possa, na realidade, ser uma espécie ainda por descobrir. Quando decide iniciar a sua investigação é apresentada ao vigário de Aldwinter, William Ransome. Tal como Cora, Will sente uma desconfiança profunda em relação aos boatos, que considera um fenómeno de terror de caráter moral e um desvio da verdadeira fé. Enquanto Will procura tranquilizar os paroquianos, inicia-se entre ele e Cora uma relação intensa; apesar de os dois não concordarem a respeito de nada, são atraídos e afastados um do outro inexoravelmente, a ponto de isso modificar a vida de ambos de formas inesperadas.



Com uma escrita bem trabalhada, a autora leva-nos por uma história que aos poucos se torna bastante complexa, mas vamos por partes. O início do livro serve, como normal, para conhecermos as personagens, e aqui a autora faz um bom trabalho em desenvolver ambientes e personalidades, sendo um ponto alto a forma como o livro nos descreve certos locais. O ambiente é quase sempre sombrio, carregado de forma moderada para que seja sentido a cada página, não deixando o leitor esquecer certos conceitos e detalhes que são importantes.

A isto mistura-se o enredo que se desenvolve a bom ritmo, abrangendo novos temas e conceitos, tornando o mundo bastante coerente. No entanto, a sensação com que fiquei foi que a autora tocou em demasiado temas, ao ponto de chegar a um momento no livro em que o enredo principal se torna bastante secundário, pois o leitor está envolto em vários temas e a serpente deixa de ser a base.

Nessa altura fiquei com a sensação que a autora se perdeu um pouco tornando a sua narrativa demasiado abrangente sem se focar no que ao início parecia o essencial e que merecia ser mais aprofundado. Com o tema principal a ser algo posto de parte, o nosso foco prende-se nas personagens, e com elas viajamos por uma história que se torna bastante intensa em termos amorosos e que me surpreendeu em alguns aspetos.

Gostei dos personagens apesar de alguns serem demasiado óbvios, mas as suas decisões foram coerentes e encaixaram bem na história não existindo momentos demasiado forçados. No entanto, e apesar de o livro não se destacar em certos aspetos, noutros consegue ser muito bom, como por exemplo no ambiente que consegue ir criando.

Este é um livro que muitos leitores irão adorar, principalmente o público feminino que certamente conseguirá criar uma ligação mais emocional com a personagem principal. Nota-se a qualidade e percebe-se porque ganhou tantos prémios internacionais. A mim não me convenceu totalmente simplesmente porque acho que o livro não se foca no que o torna original, mas foi sempre uam leitura que gostei. E por isso acredito que este é claramente um livro que a maioria dos leitores irá gostar bastante.

Luís Pinto 


quarta-feira, 26 de abril de 2017

4 3 2 1


Autor: Paul Auster

Título original: 4 3 2 1





Sinopse: O que nos motiva verdadeiramente? O que nos leva a optar por um caminho em detrimento de outro? De que futuros abdicamos pelo simples facto de termos apenas uma vida para viver?
No dia 3 de março de 1947, na maternidade do hospital Beth Israel em Newark, New Jersey, nasce Archibald Isaac Ferguson, filho único de Rose e Stanley Ferguson. Uma só criança a quem são dados quatro caminhos ficcionais diferentes, quatro direções possíveis. Uma pessoa que se desdobra em quatro, para assim viver quatro vidas paralelas e absolutamente diferentes, mercê das circunstâncias, do acaso, e das escolhas.
Os contrastes entre os quatro Fergusons são evidentes. As distintas relações com a família e as amizades, o amor romântico e as paixões intelectuais percorrem a tumultuosa paisagem da América, entretecendo-se com momentos cruciais da História do século xx. Em comum, o fascínio por uma mulher: a magnífica Amy Schneiderman. Todavia, cada uma das relações entre os quatro Fergusons e Amy é única. E nós, leitores, somos as testemunhas de cada momento de prazer, cada momento de dor, cada lento avançar rumo ao inevitável culminar das suas - de todas - as vidas.



Vou ser direto: este é um daqueles livros que se adora, ou se odeia. Paul Auster tem aqui, muito provavelmente, o seu livro mais complexo até hoje e aquele que leva o leitor ao limite.

Com um brutal número de páginas, Paul Auster sabe como envolver o leitor num enredo do qual não conseguirá sair. Com uma escrita objetiva, mas sem nunca deixar de explorar o que é importante para a criação de ambientes e exploração de personagens, Auster empurra o leitor durante quatro narrativas que se unem e se afastam quando menos esperamos, sem nunca ter tido a noção de que o autor se perdera pelo caminho. É verdade que a meio o livro perde algum fulgor, perdendo o fascínio inicial e ainda sem oferecer as respostas que estão guardadas para o final, mas mesmo com um ritmo mais lento a meio, o livro não perde qualidade, apenas obriga o leitor a um maior esforço para se perceber tudo o que estas páginas tentam transmitir.

Com bons personagens e momentos surpreendentes, Auster tem aqui uma base fantástica que explora com mestria, levando-nos a questionar tudo o que o personagem faz e sempre com a noção de que essas mesmas questões podem ser colocadas à nossa vida. A questão principal é que o autor não se limita a explorar uma história. Este é um livro filosófico, psicológico, metafísico sobre a essência do que é ser uma pessoa nesta sociedade e de como as nossas vidas são a construção de todos os momentos, todas as decisões, todos os sentimentos. É um livro sobre um minuto que pode mudar a nossa vida e nunca saberemos como seria diferente se esse minuto tivesse tido outro desfecho.

A tudo isto Auster mistura vários locais, todos eles com uma identidade que encaixa no enredo e o torna mais inteligente. A forma como o autor monta a sua história é, talvez, o seu maior trunfo, e que pode passar despercebido ao leitor menos atento. Auster leva o leitor por caminhos bem montados, principalmente porque todos nós sabemos como acabam esses caminhos, com a morte. Aliás, é esse, indiretamente, o tema deste livro: a morte, como ela condiciona a cada instante, a cada ação, a cada sentimento, a cada dor ou prazer. A noção de que o nosso tempo está a acabar.

Pauls Auster tem aqui um livro complexo, forte, psicológico. Questiona o que é, o que foi e o que poderia ter sido. Questiona quais os valores que nos fazem decidir. Muitos leitores precisarão de um enorme esforço para o acabar, outros irão entrar no enredo e sentir o peso de cada página. Não é um livro que agrade a todos, mas a qualidade é inegável e inesquecível. 

Luís Pinto

segunda-feira, 24 de abril de 2017

IMPERADOR DOS ESPINHOS


Autor: Mark Lawrence

Título original: Emperor of Thorns





Sinopse:  Um rei em busca de vingança.
Com apenas vinte anos de idade, o príncipe tornou-se o Rei Jorg Ancrath, rei de sete nações, conhecido em todo o Império. Mas os planos de vingança que tem para o seu pai ainda não estão completos. Jorg tem de conseguir o impossível: tornar-se imperador.
Um império sem imperador há cem anos.
Esta é uma batalha desconhecida para o jovem rei, habituado a conquistar tudo pela espada. De quatro em quatro anos, os governantes dos cem reinos fragmentados do Império Arruinado reúnem-se na capital, Vyene, para o Congresso, um período de tréguas durante o qual elegem um novo imperador. Mas há cem anos, desde a morte do último regente, que nenhum candidato consegue assegurar a maioria necessária.
Um adversário temível e desconhecido.
Pelo caminho, o Rei Jorg vai enfrentar um adversário diferente de todos os outros, um necromante como o Império nunca viu, uma figura ainda mais odiada e temida do que ele: o Rei dos Mortos.




Regresso a esta trilogia para ver o seu fim e o que o autor preparou para Jorg, este personagem principal que por vezes odiamos mas que compreendemos.

Ainda antes de olhar diretamente para este livro, é preciso indicar que esta é uma saga diferente do normal e à qual deve ser dada o mérito de nos levar  a criar uma ligação com um personagem que moralmente deveríamos repudiar. É nos detalhes que o autor cria esta ligação enquanto vemos, principalmente no segundo livro, as mudanças que Jorg atravessa, e que o afastam do rapaz sedento de vingança do primeiro livro. 

Com o segundo livro a criar essa ligação e a levar-nos a compreender muitas das decisões de Jorg, o terceiro livro é um inteligente e surpreendente final para esta trilogia e suas personagens. Com o seu estilo habitual, Jorg leva-nos por batalhas, físicas e mentais, sempre com saltos temporais que nos dão, em simultâneo, novas perguntas e novas respostas. 

Tal como no livro anterior, o autor continua a explorar este seu mundo, sempre com interessantes ligações a um passado e a um mundo que conhecemos. A ligação é aqui mais forte e faz sentido dentro do universo criado pelo autor, tornando a trilogia coerente. Infelizmente, devido ao facto de a narrativa estar focada no narrador Jorg, fica a sensação que algumas personagens mereciam ser exploradas e acabam por não ser.

Com a narrativa a aumentar o ritmo a partir de meio do livro e com algumas revelações a serem apresentadas nos momentos certos, o autor prende o leitor numa viagem viciante em que algumas teorias se formam na nossa mente. Foi já perto do fim que comecei a perceber para onde o autor me levava, mas o porquê faz a diferença. Inteligente e com algum risco, o autor oferece um final que fica na memória e que encaixa muito bem nas personagens e no mundo que fomos descobrindo nestes três livros. Por tudo isto, este é o melhor dos três livros, principalmente porque com o conhecimento que oferece, consegue melhorar os anteriores livros.

Se procuram uma boa trilogia de fantasia e que se consegue diferenciar da maioria graças à sua personagem principal, então esta saga deve estar na vossa estante.

Luís Pinto



sexta-feira, 21 de abril de 2017

A VIÚVA NEGRA


Autor: Daniel Silva

Título original: The Black widow




Sinopse: O lendário espião e restaurador de arte Gabriel Allon está prestes a tornar-se chefe dos serviços secretos israelitas. Porém, em vésperas da promoção, os acontecimentos parecem confabular para o atrair para uma última operação no terreno. O ISIS fez explodir uma enorme bomba no distrito do Marais, em Paris, e um governo francês desesperado quer que Gabriel elimine o homem responsável antes que este ataque novamente. Chamam-lhe Saladino... É um cérebro terrorista cuja ambição é tão grandiosa quanto o seu nome de guerra, um homem tão esquivo que nem a sua nacionalidade é conhecida. Escudada por um sofisticado software de encriptação, a sua rede comunica em total segredo, mantendo o Ocidente às escuras quanto aos seus planos e não deixando outra opção a Gabriel senão infiltrar uma agente no mais perigoso grupo terrorista que o mundo algum dia conheceu. Trata-se de uma extraordinária jovem médica, tão corajosa quanto bonita. Às ordens de Gabriel, far-se-á passar por uma recruta do ISIS à espera do momento de agir, uma bomba-relógio, uma viúva negra sedenta de sangue. Uma arriscada missão levá-la-á dos agitados subúrbios de Paris à ilha de Santorini e ao brutal mundo do novo califado do Estado Islâmico e, eventual-mente, até Washington, onde o implacável Saladino planeia uma noite apocalíptica de terror que alterará o curso da história.



Regresso novamente à escrita de Daniel Silva e à sua série mais famosa, a do espião Gabriel Allon. Este é o 16º livro da série e pode ser lido como um livro independente. claro que conhecer o passado do personagem é importante para se tirar maior partido do enredo, mas não obrigatório para que esta seja uma boa leitura.

Com o ritmo em crescendo, como é habitual neste autor, Allon volta uma vez mais a ter uma missão de escala planetária. Ao fim de dezasseis livros podemos achar que o autor poderá estar a ficar sem ideias, mas a verdade é que não. Claro que começa a ser possível perceber alguns truques de Daniel Silva e ver onde a narrativa nos tenta enganar, mas este é um conhecimento que se adquire ao ler muitos livros. Por outro lado, o autor continua a arriscar e a surpreender, sem nunca deixar de tocar em alguns temas sensíveis.

O ISIS é agora o centro das atenções e é "misturado" numa trama que aos poucos atinge um ritmo de ação bastante elevado. O autor usa os já normais padrões da espionagem de ação e claro que não podemos esquecer os clichés das mulheres lindas que ajudam o personagem principal, muito ao estilo de James Bond. No entanto, e mesmo com estes já batidos clichés, o autor cria um enredo inteligente e bastante atual com o qual é possível encontrar semelhanças com a realidade. A montagem do livro está bem conseguida e mesmo com o fluxo a caminhar, claramente, para um local/momento óbvio, é impossível deixar de ler, até porque se sente que o autor poderá surpreender em qualquer página.

Dentro do seu estilo, que mistura a espionagem de James Bond com vários temas atuais e uma personagem principal com a qual é fácil criarmos simpatia, Daniel silva é dos mais famosos escritores do mundo, e aqui percebe-se porquê. Um leitor que procure um livro de espionagem pura, não o irá encontrar aqui, mas quem procure um bom livro de ação que não se consegue parar de ler, então este livro é uma escolha acertada, até porque, para mim, é talvez o mais intenso livro do autor, o que demonstra que Daniel Silva irá continuar a surpreender-nos. Se este é o vosso estilo de leitura, então este é um livro a ler neste verão.

Luís Pinto