segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

ENSAIO SOBRE O DEVER


Autor: Rute Simões Ribeiro




Sinopse: Os cidadãos do mundo inteiro são chamados a tomar uma decisão por uma entidade desconhecida. Têm de escolher um sentido apenas, «a saber», pode ler-se na misteriosa mensagem, «visão, audição, olfacto, tacto, paladar, com exclusão do apelidado sexto sentido, dado que, neste último caso, é o sentido que escolhe o portador, em caso algum podendo ocorrer o inverso». Receando o impacto da escolha livre na organização da sociedade, o governo decide obrigar os cidadãos eleitores a escolherem o sentido determinado em conselho de ministros, sob pena de penalização no rendimento, chamando as pessoas, em nome da nação, ao exercício de um dever colectivo de reorganização após a «extracção dos sentidos». Perante a ordem do governo, os partidos da oposição apresentam moções de censura e os auto-apelidados «guerrilheiros da liberdade» formam «brigadas dos sentidos», ainda que acabando estas por «forçar as pessoas a serem livres». Três personagens principais entrecruzam-se na história, um primeiro-ministro, um guerrilheiro da liberdade e uma mãe, partilhando, de algum modo, sentimentos de dever e de vigilância constante. Após a instituição de novos hábitos, ajustados à nova «ordem de sentidos», o primeiro-ministro depara-se com um inusitado e perturbador pedido do país vizinho, em nome de um antigo acordo a que está vinculado.



Finalista do prémio Leya, este livro, tal como podem ver pela sinopse, apresenta uma idea original e claramente nada fácil de implementar. Numa primeira fase a ideia base do livro pareceu-me boa, mas tive dúvidas se seria possível torná-la coerente.
 
Globalmente, este é um livro muito interessante. A autora apresenta uma escrita bem trabalhada e focada no essencial. Com alguns toques de Saramago, a autora surpreendeu-me pela forma como conta a história, desenvolvendo nos momentos certos e sendo capaz de perceber algumas dúvidas ou emoções que o leitor poderá ter em certos momentos.
 
No entanto, o foco está no enredo, complexo, diferente e difícil de gerir para que seja coerente. A autora consegue criar uma boa história, apoiada numa narrativa inteligente e quase sempre coerente. Existem alguns momentos forçados para que a narrativa caminhe num certo sentido, mas não mancham o enredo, principalmente porque algumas personagens estão muito bem criadas. O problema está na complexidade da ideia, que altera completamente a forma como vivemos, como vemos a vida e como interagimos com o mundo e com outros seres vivos. Perante tal mudança, torna-se óbvio que o livro, por melhor pensado e estruturado que esteja, dará sempre espaço ao leitor para questioanr ainda mais e encontrar falhas.
 
Mas, gostei da forma como a autora deu a volta a várias questões que poderiam ser uma armadilha. O resultado é um bom livro que levanta várias questões morais e sociais. É fácil, se questionarmos um pouco, perceber as ligações com a nossa realidade. Afinal do que temos abdicado nos últimos anos em troca de algo? Religião, política, redes sociais, internet... as ligações são claras. Para onde estamos a caminhar? Do que iremos abdicar a seguir? Quando iremos deixar para trás o que nos torna humanos simplesmente porque alguém assim decidiu? Como iremos aceitar tal imposição ou moda?
 
E é nestas perguntas indiretas que o livro se sustenta. Pelo menos foi a minha forma de o ler, enquanto retirava na minha mente o que agora é dado como adquirido, para questionar como seria se algo simples, mas obrigatório, me faltasse. Talvez a forma de sobrevivermos seja sempre uma manifestação de vontade.
 
Globamente apreciei este livro. Demorei a ficar agarrado à história mas a qualidade é inegável. Houve realmente alguns momentos que me pareceram forçados, principalmente na escolha das personagens, mas a mensagem forte do enredo supera esses problemas. Rute Ribeiro é, claramente, uma escritora que irei seguir no futuro.
 
Luís Pinto
 
 
 

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

O MITO DA SINGULARIDADE

Autor: Jean-Gabiel Ganascia
Sinopse: O momento crítico em que a inteligência artificial prevalecerá sobre a humana designa-se por «Singularidade tecnológica». Faz parte das novas buzzwords da futurologia contemporânea e a sua importância é sublinhada em numerosas previsões de gurus da tecnologia como Ray Kurzweil (chefe de projetos da Google) ou Nick Bostrom (da respeitável Universidade de Oxford). Alguns cientistas e investidores, como Stephen Hawking e Bill Gates, partilham estas perspetivas e manifestam a sua preocupação.
Ameaça à humanidade e/ou promessa de uma «trans-humanidade», este novo milenarismo não para de se expandir. As máquinas irão tornar-se mais inteligentes e mais poderosas do que nós? Estará no nosso futuro uma cibersociedade de onde a humanidade será marginalizada? Ou conquistaremos uma forma de imortalidade transferindo o nosso espírito para supercomputadores?
Este é um dos temas que mais tenho lido nos últimos tempos: inteligência artificial. Na realidade, a pergunta que este livro faz é uma pergunta que será feita muitas vezes nos próximos anos. Após ler a sinopse, fiquei com bastante vontade de ver que abordagem o autor iria seguir, e foi uma leitura interessante.
Em primeiro lugar, o autor consegue estruturar bem o livro para que o leitor não se sinta perdido, explorando um pouco o que já se faz na área e também o que é realmente a inteligência artificial. Depois, sem que o leitor se perca, o autor explora muitas das previsões e suposições do caminho que a IA irá levar. Claro que muito do que está neste livro é baseado na nossa realidade, nas possibilidades da IA e também em estudos sociais que nos dizem como deverá a humanidade aceitar certas questões.
No global este é um livro que explora a opinião do autor e, como tal, cada leitor, mais ou menos informado, poderá aceitar algumas coisas e outras não. Eu, por exemplo, concordo com as ideias do autor nuns casos, mas não noutros. No entanto, é interessante ler este livro e tentarmos tirar as nossas próprias conclusões, principalmente se tivermos conhecimentos da área. Sendo um livro muito pouco técnico, qualquer leitor o poderá ler, aprender, perceber alguns caminhos que iremos percorrer e retirar as suas conclusões. Claro que este não é um livro que agradará a quem não se interessar à partida pelo tema. Todavia, é um tema em que algum conhecimento será importante para o futuro. Se procuram uma leitura acessível e pouco técnica que explore o futuro da inteligência artificial, como ela poderá evoluir e como poderá influenciar as nossas vidas, então este é um livro a ler.
Luís Pinto   

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

A TORRE NEGRA

 
Autor: Stephen King
 
Título original: The Dark Tower
 
 
 
 
Sinopse: Roland Deschain e o seu ka-tet viajaram juntos e separadamente, espalhados por múltiplas camadas de mundos, inúmeros quandos e ondes. O destino de Roland, Susannah, Jake, do padre Callahan, Oy e Eddie prende-se com a própria Torre, que agora os puxa para mais perto de si, para fim de todos e novos inícios… e para um turbilhão de emoções, violência e descoberta.
 
 
 
Aqueles que seguem o meu blog sabem que sou fã de Stephen King. No entanto, por mais estranho que possa parecer, não é o terror (o seu género de eleição) que mais aprecio. São os outros géneros, e King já escreveu de tudo um pouco. A saga A Torre Negra é, provavelmente, a sua saga mais marcante, com os seus oito livros sobre a demanda do Pistoleiro.
 
Como em qualquer outro livro de King, nem todos os leitores irão gostar. King tem um estilo único, uma imaginação "especial" que deu origem a livros como The Shinning, It ou ao conto que originou o filme Os condenados de Shawshank, um dos melhores filmes de sempre. Aqui, King termina a sua épica saga de forma estrondosa e marcante. É um daqueles finais que não se esquecem tão cedo. Surpreendente e escrito de forma perfeita, enquanto lemos percebemos o quanto King nos preparou para este momento nos livros anteriores. É a forma como King junta vários momentos dos livros anteriores e lhes dá um novo sgnificado que nos deixa sem resposta.
 
No entanto, uma vez mais, o grande trunfo de King são as suas personagens. Claro que a sua imaginação para criar momentos de tensão e para criar este mundo tão diferente e ao mesmo tempo tão igual ao nosso é algo que se deve elogiar, mas é ao explorar as personagens que todos estes livros fazem sentido. King aprofunda o passado de todos, explora traumas, objetivos, desejos, medos e sentimentos, para criar um turbilhão de momentos marcantes enquanto tudo é revelado. Para trás, ficam outros sete livros sobre um mundo fantástico e uma demanda que nem sempre foi possível compreender, mas que acaba por fazer todo o sentido.
 
É difícil falar sobre este livro sem revelar nada do que acontece nestas páginas ou até nas dos livros anteriores. Apesar de não ter falado aqui de todos os livros da série, fui lendo com paixão, e depois de o livro anterior ter sido o mais fraco de todos, este último livro surpreende, tornando toda a saga ainda melhor. Uma saga apaixonante e que merece a brutal legião de fãs que tem por todo o mundo. Esqueçam o filme, leiam estes livros! Muito bom!
 
Luís Pinto 

terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

365 DIAS COM HISTÓRIAS DA HISTÓRIA DE PORTUGAL


Autor: Luís Almeida Martins




Sinopse: À segunda-feira conheça os grandes factos e pequenos episódios que marcaram a História de Portugal, à terça é a vez de ser apresentado aos seus protagonistas, na quarta trave guerras sangrentas e batalhas vitoriosas e na quinta veja-se envolvido em revoluções e conspirações que abalaram o poder. A sexta é dia de ficar a par das histórias de alcova, de traições e infidelidades de reis, rainhas e não só e no sábado surpreenda-se com os mitos, lendas e curiosos mistérios dos nossos nove séculos de História. Para terminar a semana, ao domingo é tempo de descansar a ler episódios relacionados com grandes escritores, artistas e monumentos de Portugal. O convite é irrecusável. Só precisa de poucos minutos por dia para, de forma concisa e divertida, fazer uma extraordinária viagem pela História de Portugal ao longo de 365 dias. Cada dia é uma nova descoberta. Uma nova história.



Mal vi o título deste livro, fiquei com vontade de lê-lo pela abordagem original. O que este livro nos oferece é uma história por dia, com os temas a serem iguais para cada dia específico da semana, tal como podem ver na sinopse.
 
Para colocar 365 histórias num livro seria preciso uma escrita direta e capaz de dar algum contexto ao leitor para nao sentir que "caiu de paraquedas" numa história qualquer dentro de um contexto diferente da história anterior. O autor consegue quase sempre criar essa zona de conforto em que o leitor não se sentirá perdido, tornando esta obra numa leitura muito agradável.
 
Gostei da grande maioria das histórias deste livro. Os temas são bastante diversificados e mesmo aquelas histórias que no início pareciam que não me iriam agarrar, acabaram por consegui-lo porque em todas elas senti que estava a aprender bastante sobre a História do meu país.
 
Claro que sendo 365 histórias, todas elas são muito pequenas e apenas exploradas levemente, levando a que a curiosidade para procurar mais informação seja normal, mas este livro serve como uma boa introdução aos mais variados temas, e quando acabamos a sua leitura, não iremos dominar nenhuma assunto em particular, mas teremos uma noção muito mais global sobre a História de Portugal, e é esse o objetivo do livro: mostrar-nos um pouco os momentos e personalidades mais marcantes deste pequeno país que já conseguiu tanto durante os últimos séculos.
 
Gostei deste livro. A leitura nunca foi um esforço, talvez por cada história ser pequena e o autor conseguir tornar cada uma em algo interessante mesmo quando à partida parece que não. A escrita é direta e objetiva e apesar de ser um livro que, obviamente, deixa muito por explicar, quem o ler ficará a saber muito mais sobre Portugal, principalmente se forem iniciados neste tema.

Luís Pinto
 
 
 
 

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

O NOSSO CÉREBRO

 
Autor: Michel Cymes
 
 
 
 
 
Sinopse: O autor não propõe uma revolução nos hábitos dos leitores.
Antes procura que tenham uma alimentação cuidada, rompam com alguns dos hábitos prejudiciais e conquistem tempo para trabalhar a memória.
O lema de Cymes é que quando o cérebro funciona bem o resto do corpo tende a ir no mesmo sentido.
 
 
 
 
Decidi ler esste livro porque sou um apaixonado por tudo o que seja conhecimento sobre o nosso cérebro. Neste livro, um pouco diferente dos que costumo ler, o autor explora o nosso atual conhecimento sobre como ajudar o nosso cérebro a ser saudável.
 
Sendo um livro bem estruturado, o autor explora o quão necessário é o descanso, a forma de enfrentarmos problemas ou a alimentação. Aliás, um dos pontos mais aprofundados neste livro é como a alimentação pode ajudar o nosso cérebro a funcionar melhor, a ficar mais atento, mais concentrado, com melhor memória, etc...
 
Tal como qualquer parte do nosso corpo, a nossa massa cinzenta precisa de nutrientes específicos para o seu funcionamento diária, sendo também um dos maiores consumidores de energia do nosso corpo. Tudo isto leva a que seja fundamental saber como o alimentar, para que não exista um desgaste diária.
 
Para além disso, o autor explora o facto de, sendo o nosso cérebro o maestro de todo o corpo, nunca o corpo funcionará bem se o cérebro estiver cansado. E o oposto será igual. Um cérebro saudável fará todo o corpo trabalhar melhor.
 
Este é um livro interessante. O autor faz um bom trabalho a explicar conceitos base que alguns leitores poderão não dominar, e a mensagem é passada muito facilmente. É fácil ficar a perceber muito melhor o funcionamento do nosso cérebro, mas também o que é necessário para se manter saudável. Todos nós já nos sentimos desgastados antes, sem paciência, sem capacidade de recordar coisas, etc... este é um livro para nos ajudar nesses momentos. Se o tema vos interessa, então será uma boa leitura.
 
Luís Pinto