sexta-feira, 17 de março de 2017

REI DOS ESPINHOS


Autor: Mark Lawrence

Título original: King of Thorns





Sinopse: O Príncipe Jorg Ancrath jurou vingar a morte da mãe e do irmão, brutalmente assassinados quando ele tinha apenas 9 anos. Jorg cresce na ânsia de saciar o seu desejo de vingança e de poder, e, ao fim de quatro anos, cumpre a promessa que fez - mata o assassino, o Conde de Renar, e toma-lhe o trono. Aos 18 anos, Jorg luta agora por manter o seu reino, e prepara-se para enfrentar o inimigo poderoso que avança em direção ao seu castelo.


Após um primeiro livro muito viciante, finalmente li este segundo livro em que o autor aproveita para explorar bastante algumas personagens e o mundo que as rodeia.

Em primeiro lugar percebe-se com facilidade que o autor abranda o seu ritmo. O livro está um pouco mais lento na fase inicial, não só para ir explicando o salto temporal entre os livros, mas também para saltar entre as duas narrativas que constituem o enredo. 

O autor explora algumas personagens com mestria, mas o foco está sempre em Jorg, com o qual se cria uma ligação nada fácil de se explicar. São muitos os livros em que estamos perante um personagem principal desprezível, e cabe ao autor desequilibrar a  balança para que o leitor odeie ou não o personagem. Aqui existe um equilíbrio difícil de se conseguir, e que é o grande trunfo do livro. Uma parte de nós percebe Jorg e quer que ele seja o vencedor. Outra parte rejeita todas as suas ações. E é neste misto que o livro nos leva, talvez com a esperança de que o personagem mude no final.

Com o mundo melhor explorado num ritmo ligeiramente mais lento, a personagem de Jorg torna-se fascinante, e sem ela este livro seria apenas banal. No entanto, de um ponto de vista crítico, este livro é superior ao anterior. É mais maduro, mais coerente e mais inteligente no que nos oferece e nos caminhos que percorre. É fácil perceber como o autor melhorou a estrutura do livro ao apostar em certas mudanças na narrativa, e todas elas foram para melhor. Por outro lado o livro sofre por ser o intermédio, não tendo um início fulgurante nem um final que satisfaça totalmente, porque o autor está, claramente, a preparar o terreno para o último livro. São várias as perguntas que ficam no ar, e nota-se que algumas personagens terão maior peso no próximo livro. Tudo isto pensado com inteligência, ficando apenas a faltar um bom livro final.

Este livro é a confirmação da qualidade da saga e do autor. A faltar apenas um livro não há muito a dizer aqui sem desvendar alguns momentos que devem ser lidos. Estou a gostar mais desta série do que esperava e evolução na qualidade deixa-me bastante confiante que o último livro será o melhor de todos. Para já, esta é uma série diferente, muito viciante, e cheia de qualidade. Estou muito ansioso para ler o último.

Luís Pinto

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